Cristina descarta mudanças no Governo argentino e defende sua gestão

Mar Marín Buenos Aires, 2 ago (EFE).- A presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, defendeu hoje sua gestão, descartou novas mudanças em seu Governo e negou que haja uma bicefalia no poder, na primeira coletiva de imprensa de um chefe de Estado argentino desde 1999.

EFE |

Acompanhada do novo chefe de Gabinete argentino, Sergio Massa, e de representantes do Executivo, Cristina respondeu 25 perguntas da imprensa local e estrangeira em coletiva de imprensa organizada na residência oficial do Governo, com agenda aberta e sem possibilidade de rebater as respostas da presidente.

Durante mais de uma hora e meia, Cristina evitou a autocrítica em suas respostas sobre a crise com o campo, a renovação de sua equipe, o papel de seu marido e antecessor no cargo, Néstor Kirchner, as relações com outros países da região e a inflação.

Com exceção da segurança, sobre o que afirmou que não haverá novas mudanças em seu gabinete e que voltaria a repetir "cada uma das coisas" que fez desde que assumiu o poder em dezembro passado, a presidente não deu destaque aos graves problemas do país, como a inflação.

Cristina não esclareceu qual será o próximo passo do Governo para resolver a crise com o setor agrário, acusado por ela de ter desenvolvido uma "virulência sem precedentes" durante o conflito.

A chefe de Estado disse que voltaria a impulsionar a resolução 125, que deu nova taxação às exportações agrícolas, por considerar que constituía um passo histórico no avanço rumo à redistribuição de riqueza.

A medida desencadeou quatro meses de conflito com o campo, que causaram perdas milionárias e uma crise política sem precedentes nos últimos cinco anos.

O enfrentamento gerou a renúncia do ministro da Economia Martín Lousteau, em abril passado, e a saída de Alberto Fernández, considerado o homem forte do Governo após cinco anos como chefe de Gabinete.

A substituição de Alberto Fernández, que deu lugar ao jovem peronista Sergio Massa em meados de julho, favoreceu os rumores sobre possíveis mudanças no Executivo que afetariam funcionários desgastados e com baixa estimativa nas enquetes, como o secretário de Comércio Interior Guillermo Moreno, principal responsável pela questionada gestão do Instituto Nacional de Estatística (Indec).

Mas Cristina contornou hoje a polêmica, ao assegurar que não haverá novas mudanças no Governo e defender a figura de Moreno.

"Por que estão sempre satanizando funcionários?", perguntou Cristina, que atribuiu a desconfiança gerada pelos números do Indec a manobras "políticas e midiáticas" e tentou justificar os dados de inflação oficiais, questionados pela oposição e analistas.

Cristina evitou também alimentar a polêmica sobre o papel do vice-presidente Julio Cobos, cujo voto contra o Governo no Senado invalidou o aumento de impostos agrários e evidenciou a fraqueza do oficialismo.

"É preciso parar com esse drama, cada um é responsável pelas ações políticas que realiza (...) não vou adjetivar a decisão do vice-presidente", assinalou.

Também não entrou em uma análise dos comentários sobre a existência de uma bicefalia no poder pela influência de seu marido, fortemente desgastado nas enquetes por seu protagonismo durante a crise com o campo.

"O ex-presidente e eu somos dois militantes políticos (...) os comentários dessa natureza acho que obedecem mais a uma leitura tendenciosa das coisas", comentou Cristina, que não esclareceu se este primeiro contato com a imprensa inaugura uma nova estratégia de comunicação que incluirá novos encontros com jornalistas. EFE mar/rr

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