Cristina declara monumento histórico prisão ilegal da ditadura argentina

Buenos Aires, 22 ago (EFE) - A Escola Superior de Mecânica da Marinha (Esma), onde funcionou a maior prisão ilegal da última ditadura militar argentina (1976-1983), foi declarada hoje monumento histórico pela presidente do país, Cristina Fernández de Kirchner.

EFE |

O decreto, que foi publicado no "Diário Oficial do Estado", compreende o prédio da Esma, que há quatro anos deixou de estar sob a custódia da Marinha e funciona atualmente como Espaço da Memória e Promoção dos Direitos Humanos.

A resolução se refere ao marco histórico no qual o regime militar montou mais de 600 centros clandestinos de detenção, tortura e extermínio "violando garantias constitucionais e direitos humanos".

A Esma é definida neste decreto como "um dos centros mais importantes" da repressão ilegal, "que incluem crimes de lesa-humanidade tais como tortura, desaparecimento de pessoas e apropriação de menores", fatos que "motivaram uma tomada de consciência da sociedade".

Calcula-se que cinco mil detidos tenham passado por ali durante a repressão ilegal, que, segundo estimativas oficiais, causou 18 mil vítimas, embora os organismos de direitos humanos acreditem que o total de desaparecidos chegue a 30 mil.

Antes de se transformar no Espaço da Memória e Promoção dos Direitos Humanos, a antiga Esma foi integrada à nova Escola de Sub-oficiais da Marinha, localizada a 800 quilômetros de Buenos Aires.

Foram debatidas várias iniciativas para que funcionem no prédio da Esma um museu e um parque, em memória das vítimas da ditadura.

A presidente da Argentina estabeleceu que no prédio, que tem 14 hectares e está no coração de Buenos Aires, deverá "ser respeitada a configuração atual, relação volumétrica" e a paisagem.

Em 24 de março de 2004, quando se completaram 28 anos do último golpe militar, o então presidente da Argentina, Néstor Kirchner, liderou a cerimônia de transferência da Esma para uma comissão formada pelo Governo argentino, pelo de Buenos Aires e por organizações de defesa dos direitos humanos. EFE hd/bm/db

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