Cristina completa um ano no poder com popularidade em baixa

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, completa um ano de governo nesta quarta-feira com uma acentuada queda de popularidade em relação ao apoio que recebeu quando foi eleita, em outubro do ano passado.

BBC Brasil |

A presidente venceu as eleições com 45% dos votos e, pouco depois de assumir o cargo, no dia 10 de dezembro de 2007, sua imagem positiva era de 56%, segundo pesquisa da Poliarquia Consultores.

O mesmo instituto, no entanto, realizou um levantamento no mês passado e constatou que o índice de aprovação à presidente caiu para apenas 29%.

Outra pesquisa, do instituto Management & Fit, publicada esta semana, mostrou que 26% dos argentinos aprovam a administração de Cristina - uma leve alta em relação aos cerca de 20% de junho. Mas, em fevereiro passado, este índice era de 51,5%.

Polêmicas

As diferentes pesquisas de opinião indicam que o apoio popular à presidente começou a cair após o anúncio, no último mês de março, do aumento de impostos às exportações do setor agrário - braço tradicional da economia argentina.


Cristina Kirchner completa um ano de governo em meio a polêmicas / Reuters

A decisão gerou uma crise que durou cerca de três meses, com ruralistas bloqueando estradas, a renúncia do ministro da Economia, Martín Lousteau, a volta de panelaços contra o governo e o vice-presidente, Julio Cobos, presidente do Senado, dando um voto de minerva em oposição à gestão oficial e derrubando o aumento de impostos.

"Esses foram apenas alguns dos problemas de Cristina. Os números maquiados do Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos), que ela não modificou, e o caso da mala foram alguns dos outros itens", disse à BBC Brasil o analista político Sergio Berensztein, da consultoria Poliarquia.

O "caso da mala", como ficou conhecido, ocorreu no fim do ano passado, quando autoridades argentinas e venezuelanas tentaram entrar no país com uma mala com US$ 800 mil. Mais tarde, especulou-se, nos tribunais de justiça de Miami, que o dinheiro seria para a campanha eleitoral da presidente.

Economia

A partir do mês passado, Cristina começou a fazer sucessivos anúncios econômicos, como a estatização da previdência privada, já aprovada, e planos para estimular o consumo.

"As medidas ainda não fizeram efeito porque falta confiança dos consumidores na gestão oficial", disse o economista Orlando Ferreres, da consultoria Ferreres e Associados.

A ministra da Produção, Débora Giorgi, no entanto, afirma que "as medidas pretendem manter o ritmo da atividade econômica".

Mesmo com a polêmica, as medidas anunciadas por Cristina receberam apoio de alguns líderes da oposição, como o governador da província de Santa Fé, o socialista Hermes Binner, que apoiou por exemplo, a reestatização da previdência privada.

Ele, no entanto, também tem críticas ao governo.

"Só lamento a falta de diálogo do governo (com a oposição). E essa influência de Kirchner que não faz bem a Cristina e nem ao país", disse.

Kirchner

Marido de Cristina e seu antecessor na presidência, Nestor Kirchner é considerado por muitos como uma espécie de eminência parda no governo.

Durante sua gestão, de 2003 a 2007, a Argentina registrou forte crescimento econômico e queda na pobreza. Seu governo, no entanto, também ficou marcado por disputas políticas internas e internacionais - como com o Uruguai, por exemplo.


Cristina e o marido, Nestor, durante as eleições argentinas / Arquivo

Na noite de terça-feira, como presidente do Partido Justicialista (PJ, peronista), Kirchner liderou um encontro em comemoração ao primeiro ano de mandato de Cristina. Seu discurso foi transmitido ao vivo pelas emissoras de TV locais.

"Na Argentina, parecia que uma mulher não podia governar, mas ela será a melhor presidente que o país já teve", disse.

"Essa crise é internacional, não foi gerada por nós. Algum dia, certos meios de comunicação vão dizer a verdade".

Enquanto Kirchner discursava, estava em andamento um panelaço em alguns pontos do bairro da Recoleta, de classe média alta.

As palavras de Kirchner levaram o deputado opositor Francisco de Navaez a declarar: "Esse discurso prova que quem governa é ele. Como pode ser que a presidente esteja na Rússia e ele fale sobre o que vai ou não se fazer no país", disse.

Imprensa

Esta semana, os principais jornais do país resumiram, em tom crítico, este primeiro ano de mandato de Cristina.

"A gestão presidencial foi marcada pelas disputas, a sombra de (Nestor) Kirchner, a busca por financiamentos e a crise econômica (internacional)", escreveu o La Nación.

Por sua vez, o El Cronista publicou: "Cristina, um ano no poder e pouco para comemorar".

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