Cristãos e peregrinos comemoram Natal na Terra Santa pedindo paz

Daniela Brik. Jerusalém, 25 dez (EFE).- A comunidade cristã da Terra Santa e milhares de peregrinos de todo o mundo comemoram hoje o Natal, após a Missa do Galo celebrada na quarta-feira à noite em Belém, oficiada pelo patriarca latino, monsenhor Fouad Twal.

EFE |

O chefe da Igreja Católica na Terra Santa celebrou a missa na igreja franciscana de Santa Catarina, em Belém, vizinha à Basílica da Natividade, construída sobre o local onde a tradição afirma que Jesus nasceu.

Na homilia, o patriarca fez um apelo em favor da paz na região, na presença do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, do primeiro-ministro da organização, Salam Fayyad, e de outras personalidades.

Peregrinos e turistas visitaram hoje os santuários na cidade de Belém, na Cisjordânia, e de Nazaré, em Israel, onde foram celebradas missas do Natal em meio a um ambiente festivo, que contrasta com as populações majoritariamente muçulmanas e judias locais.

A Basílica de Natividade, custodiada pela Igreja Ortodoxa, abriga uma gruta que marca o local onde acredita-se que tenha ficado o presépio onde se alojou a sagrada família no nascimento de Jesus.

Já na Basílica da Anunciação em Nazaré, o maior templo cristão do Oriente Médio, a estrela é um poço de água onde, segundo a crença, a Virgem Maria recebeu do arcanjo Gabriel o anúncio do nascimento do filho.

Twal, de 68 anos e origem jordaniana, recentemente nomeado pelo papa Bento XVI, desejou em vários idiomas aos fiéis um feliz Natal e próspero Ano Novo "cheios de paz, segurança e acordo".

"Estamos buscando a paz que perdemos, a paz que devolve à humanidade sua dignidade, que esteve ausente nos últimos anos e se misturou com sangue", disse o patriarca durante a missa da noite de 24 de dezembro.

Ele também se referiu ao muro de concreto construído por Israel e que rodeia Belém por três lados, sobre o qual disse: "Não importa quão alto for, nunca trará segurança".

A população cristã da cidade na qual Jesus nasceu diminuiu de forma drástica nas últimas décadas, convertendo-se uma minoria de entre 35% e 50% dos 40 mil habitantes de Belém, em comparação com os 90% que representava nos anos 1950.

Em relação ao conflito que opõe israelenses e palestinos, que estiveram negociando um acordo de paz neste ano, Twal pediu às partes para mostrar o "perdão e reconciliação entre indivíduos e nações".

Os quatro mil palestinos cristãos residentes na Faixa de Gaza, dominada pelo movimento islâmico Hamas, não quiseram participar dos ofícios religiosos como medida de protesto contra o embargo imposto por Israel a esse território.

A maior parte dos cristãos de Gaza segue os ritos da Igreja Ortodoxa, sendo os católicos minoria.

A véspera de Natal será celebrada pelos ortodoxos, seguindo seu calendário, no dia 5 de janeiro, quando os católicos comemoram a noite dos Reis Magos, enquanto a Igreja Armênia festejará no dia 18 de janeiro.

O pastor da Igreja Católica em Gaza, Manuel Musalam, disse em comunicado enviado à imprensa que a decisão responde às ameaças de Israel de invadir a Faixa.

Fontes dessa confissão em Gaza disseram que em torno de 800 cristãos pediram a Israel permissão para visitar Belém para assistir à Missa do Galo, mas só 280 receberam a autorização.

O dia de Natal em Israel, mais um dia útil, coincide com uma intensificação da violência e os preparativos para uma possível invasão da Faixa de Gaza.

Durante a quarta-feira, as milícias palestinas dispararam cerca de 100 foguetes e bombas de Gaza em direção a Israel, sendo que alguns caíram muito perto dos peregrinos cristãos que saíam da Faixa.

Os ataques foram uma resposta à morte de três milicianos do Hamas na noite de terça-feira em um bombardeio aéreo israelense no norte de Gaza, e de outros dois membros do braço armado do grupo que faleceram quando manipulavam explosivos. EFE db/db

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