As festas de Natal foram marcadas nesta sexta-feira por pedidos de paz, depois de um susto no Vaticano, quando o Papa Bento XVI foi derrubado por uma mulher antes da Missa do Galo.

Em sua tradicional mensagem 'Urbi et Orbi' (À cidade e ao mundo), o pontífice pediu solidariedade para com os emigrantes que se veem forçados a deixar seus países "por causa da fome, da intolerância e da deterioração ambiental".

Bento XVI, de 82 anos, apareceu sereno e bem disposto, e não mencionou a agressão sofrida na quinta-feira, antes da Missa do Galo, quando Susanna Maiolo, uma ítalo-suíça de 25 anos "aparentemente desequilibrada", conseguiu saltar a barreira de segurança e o derrubou no chão.

O incidente também provocou a queda do cardeal francês Roger Etchegaray, de 87 anos, que fraturou o fêmur e deve ser operado no sábado.

Na Missa do Galo, Bento XVI denunciou "o egoísmo, tanto o coletivo quanto o individual", que "nos mantêm prisioneiros de nossos interesses e de nossos desejos, que se opõesm à verdade e nos separam uns dos outros".

Em Belém, onde Jesus nasceu, de acordo com a Bíblia, milhares de cristãos palestinos e estrangeiros celebraram a vigília de Natal em igrejas e santuários.

A Missa do Galo foi celebrada pelo patriarca latino de Jerusalém, Fuad Twal, na igreja franciscana de Santa Catalina, contígua à Basílica da Natividade.

Twal evocou, na presença do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abas, "uma terra que sofre e espera", e pediu que israelenses e palestinos se tratem com respeito.

Em plena celebração de Natal, dois bispos irlandeses anunciaram nesta sexta-feira que apresentaram os pedidos de renúncia ao papa, somando-se à renúncia de outros dois religiosos, em uma consequência do relatório que acusa a Igreja Católica de ter acorbertado bispos pedófilos que durante anos abusaram de crianças na região de Dublin.

Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama divulgou sua primeira mensagem de Natal ao lado da mulher, Michelle. No Havaí, onde está para as festas de fim de ano, o primeiro-casal fez uma homenagem aos soldados americanos que, "longe de suas famílias arriscam suas vidas para proteger as nossas".

Na Inglaterra, a rainha Elizabeth II também louvou os soldados de seu país e da Commonwealth (Comunidade Britânica) que combatem no Afeganistão, na mensagem de Natal que leu nesta sexta-feira. Ao mesmo tempo, destacou que o ano de 2009 foi "difícil" para muitas pessoas devido à crise econômica.

"Cada ano que passa parece ter seu próprio caráter. Alguns nos deixam um sentimento de satisfação; outros, é melhor esquecê-los. 2009 foi um ano difícil para muitos, em especial para aqueles que enfrentam os efeitos da desaceleração econômica", disse a rainha em sua tradicional mensagem de Natal, gravada no palácio de Buckingham.

"Tenho certeza de que todos nós fomos afetados pelos acontecimentos no Afeganistão e nos entristecemos com as perdas sofridas por nossas tropas que estão mobilizadas lá", acrescentou.

"A dívida e o reconhecimento que temos para com estes jovens homens e mulheres e seus predecessores é realmente imensa".

O presidente afegão, Hamid Karzai, desejou na quinta-feira um feliz Natal às forças estrangeiras mobilizadas em seu país - 113.000 homens, aos quais se somarão em breve os 30.000 reforços anunciados por Obama e os 7.000 prometidos por países aliados - e aos membros das organizações não governamentais que participam da reconstrução do Afeganistão.

Os talibãs, por sua vez, divulgaram nesta sexta-feira na internet um vídeo do soldado americano Bowe Bergdahl, capturado em junho no Afeganistão, no qual o jovem refém declara que o conflito corre o risco de "se transformar em um novo Vietnã".

No Iraque, os cristãos viveram uma vigília de Natal com medo da violência, já que são perseguidos no país e vítimas constantes de atentados.

Na Venezuela, o presidente Hugo Chávez aproveitou o Natal para tentar reforçar a 'fé bolivariana', exortando os venezuelanos a substituir o "frenesi consumista" de presentes natalinos para as crianças por histórias sobre "a pátria e Simón Bolívar", herói da independência do país.

bur/ap/fp

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