Crises econômica, alimentícia e ambiental são desafios da cúpula do G8

Fernando Á. Busca.

EFE |

Roma, 7 jul (EFE).- A cúpula do Grupo dos Oito (G8, formado pelos países mais industrializados do mundo, mais a Rússia), em L'Aquila, na Itália, começa amanhã, com o desafio de buscar soluções para a crise econômica global, lutar contra a mudança climática e garantir a segurança alimentar.

A Presidência italiana do G8 convocou os membros do G5 (China, Índia, Brasil, México e África do Sul) e outros 14 países, além dos membros do grupo: Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Canadá, Rússia e Itália.

Os países mais poderosos do mundo se reúnem em um momento de instabilidade internacional, com distúrbios no Irã, China e Honduras e uma escalada da tensão por parte da Coreia do Norte, que realizou vários teste de mísseis recentemente.

Além destes assuntos, o G8 terá o desafio de continuar buscando soluções para tirar a economia global da crise.

A Itália elaborou junto à Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) 12 pontos para emendar as regras da economia global, como a luta contra o protecionismo e o estabelecimento de regras mais transparentes para o sistema financeiro.

Além disso, vários líderes europeus, entre eles o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro inglês, Gordon Brown, pediram objetivos em médio prazo para lutar contra as mudanças climáticas.

A previsão é de que os países reunidos na cúpula alcancem um acordo para destinar US$12 bilhões para o desenvolvimento agrícola em um prazo de três anos.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA), organização internacional que se encarrega das emergências alimentícias globais, elogiou o interesse mostrado pelo G8 sobre segurança alimentar.

A cúpula do G8 da Itália é rodeada por uma organização caótica, tanto no conteúdo, quanto nos preparativos da sede em L'Aquila.

A imprensa inglesa informou que, durante a preparação da cúpula, os EUA tiverma que tomar as iniciativas das negociações prévias, diante da inoperância da Presidência italiana.

A princípio, a cúpula seria realizada em uma ilha na Sardenha, mas o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, decidiu transferi-la para L'Aquila, a cidade que foi devastada no dia 6 de abril por um terremoto que matou 299 pessoas.

A possibilidade de um novo terremoto provocou inquietação no Governo italiano e vários meios de comunicação italianos informaram que um tremor superior aos quatro graus na escala Richter foi registrado na região e a cúpula poderia ser transferida para Roma ou ser suspensa.

Além disso, há a incerteza sobre o poder do grupo para tomar decisões, pela ausência de outras grandes economias como a China ou a Índia.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva advertiu que os temas econômicos deveriam ser tratador com o G20 e o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou que um G14 seria mais adequado.

A reunião começa amanhã, com a participação dos países-membros do G8 e no dia seguinte contará também com as grandes potências emergentes do G5 (China, Índia, México, Brasil, África do Sul), além do Egito.

À noite, os chefes de Estado ou do Governo da Espanha, Austrália, Coreia do Sul, Indonésia, Dinamarca, Holanda, Turquia, Argélia, Angola, Etiópia, Líbia, Nigéria e Senegal se reunirão em um jantar com o presidente da Itália, Giorgio Napolitano.

O último dia da cúpula será dedicado aos efeitos da crise na África e à segurança alimentar, na qual participarão todos os países convidados, além de várias organizações internacionais como o Banco Mundial (BM) ou o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Os protestos antiglobalização contra o G8 já começaram na Itália e causaram a prisão de 35 pessoas nas primeiras manifestações e a denúncia de que outras cinco transportavam tacos de beisebol e barras de ferro em uma caminhonete, em L'Aquila. EFE fab/pd

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