Crises bilaterais põem em xeque integração na América Latina

Eduardo Davis.

EFE |

Brasília, 28 out (EFE) - A integração na América Latina, após os firmes passos dados nos últimos anos, parece hoje colocada em xeque pelo corte de créditos originado pela crise financeira mundial e por diversos e recorrentes conflitos entre alguns países.

A derrubada de parte do sistema financeiro nas nações mais desenvolvidas e seu efeito dominó na economia global se transformaram no mais recente obstáculo para um processo integrador que avança com diferentes ritmos ao longo de toda a América Latina.

No marco da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), o mais recente mecanismo de integração regional, constituído em maio, há uma consciência dos efeitos da crise e se buscam alternativas que garantam o crédito.

Uma delas é reativar o Banco do Sul, um organismo que, até agora, só existe no papel e que foi constituído no final de 2007 por Brasil, Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

A instituição, idealizada como um banco de desenvolvimento regional focado na integração, devia começar a operar este ano com um capital de US$ 7 bilhões, mas as divergências sobre as contribuições financeiras de cada país adiaram os planos.

Fontes brasileiras disseram à Agência Efe que, apesar da vontade política de colocá-lo em andamento, a crise financeira pode impedir alguns países de cumprir suas cotas de capital, que ainda não foram definidas, pois a prioridade agora é garantir o crédito em suas próprias economias.

Em plena crise internacional, as necessidades de investimentos em toda a América Latina são gigantescas.

Um recente estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) calcula que, na área de energia, cujo potencial regional é um dos maiores do mundo, a América Latina requer investimentos de US$ 1,38 trilhão.

Já na área de infra-estrutura viária, existem na América do Sul projetos que requerem um capital próximo aos US$ 40 bilhões.

Na América Central também há uma preocupação com a crise financeira, que pode levar a uma redução das remessas de cidadãos que vivem no exterior e representam muita receita para esses países que, além disso, têm como principal parceiro comercial os Estados Unidos.

Mas, além das conseqüências financeiras da crise, ainda persistem obstáculos políticos que impedem a integração.

O mais recente surgiu entre Brasil e Equador, após a decisão do presidente equatoriano, Rafael Correa, de expulsar a construtora Odebrecht do país, alegando descumprimento de contrato na construção de uma hidrelétrica.

O Governo brasileiro reagiu e suspendeu a discussão de todos os projetos de infra-estruturas que tinha com o Equador, incluindo o chamado Eixo Manta-Manaus, uma rede viária, aérea e fluvial que inclui também Bolívia, Peru e Venezuela.

O Equador também mantém tensas relações com a Colômbia desde o incidente fronteiriço que resultou na morte do chefe guerrilheiro colombiano "Raúl Reyes", motivo que levou o presidente Álvaro Uribe a não participar da recente Cúpula Andina, realizada em Guayaquil.

No Mercosul, Argentina e Uruguai ainda não superaram o conflito causado pela construção de uma fábrica de celulose em solo uruguaio, e o Governo do Paraguai, presidido pelo ex-bispo Fernando Lugo, pressiona o Brasil para que pague mais pela eletricidade que recebe da hidrelétrica binacional de Itaipu.

Apesar dessas divergências, houve este ano uma prova contundente de que há pelo menos uma tentativa de superar os conflitos e dar uma resposta política unitária aos problemas.

Em meio à aguda crise institucional na Bolívia, a Unasul convocou uma reunião de emergência na qual todos os países da América do Sul se uniram para condenar toda tentativa de golpe de Estado e advertir de que não reconheceriam qualquer Governo que não fosse eleito pelas urnas.

A firmeza do manifesto assinado pelos países da Unasul foi um dos fatores que ajudaram a aliviar as tensões na Bolívia, apesar de o conflito ainda persistir.

Agora, a Cúpula Ibero-Americana de El Salvador pode ser outro palco de resolução de problemas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que entre os objetivos de sua participação na cúpula está a possibilidade de se reunir com Rafael Correa e tentar resolver as diferenças entre Brasil e Equador. EFE ed/ab/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG