Crise prossegue na Grécia com novos atos de violência em Atenas

Novos incidentes foram registrados nesta quinta-feira entre jovens e policiais em Atenas, onde os atos de violência são diários desde a morte, na noite de sábado, de um adolescente assassinado por um policial, um fato que mergulhou a Grécia numa profunda crise social e política.

AFP |

Apesar dos novos enfrentamentos, a polícia afirmou que a situação melhorou em relação aos dias anteriores, mas continua em alerta.

"A situação melhorou em relação a segunda e terça-feira, mas é difícil antecipar qualquer evolução" no terreno, explicou à AFP o porta-voz da polícia, Panayotis Stathis.

"A situação continua tensa em Atenas, mas melhorou muito no restante do país", acrescentou.

Quase 1.200 pessoas, a maioria membros de grupos de esquerda, começaram a se manifestar pacificamente na noite desta quinta-feira no centro de Salônica (norte), informaram fontes policiais.

Em Atenas, cerca de 400 pessoas se reuniram no centro da cidade, bloqueado pelas forças da ordem, constatou um jornalista da AFP.

Os manifestantes, que também pertencem a grupos de esquerda, começaram a marchar até o Parlamento, aos gritos de "polícia sem armas", "os assassinos devem ser punidos" e "um adolescente morto, o ódio aumenta".

Confrontos entre jovens e policiais foram registrados pela manhã diante da prisão de Korydallos, a maior da Grécia.

Estudantes tinham se reunido perto da penitenciária, na periferia oeste da capital grega, para protestar contra a morte de seu colega e esperar a transferência do policial acusado de ter matado o jovem.

De acordo com uma fonte judicial, o policial, indiciado quarta-feira por "homicídio voluntário" e um de seus colegas, acusados de "cumplicidade", foram levados nesta quinta-feira a Korydallos, onde estão em "detenção provisória".

Os enfrentamentos começaram quando centenas de estudantes do bairro atiraram projéteis nas forças da ordem posicionadas diante da prisão.

Os policiais recorreram a bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão, constatou o fotógrafo da AFP.

Confrontos também foram registrados diante da faculdade de agronomia e em outros dois bairros de Atenas.

No bairro de Exarchia, onde o jovem Alexis Grigoropoulos foi morto pelo policial, cerca de 40 pessoas atiraram pedras nos policiais na manhã desta quinta-feira. Três jovens foram detidos.

Incidentes também foram registrados em várias outras metrópoles européias, como em Roma e Bologna, na Itália, onde cinco policiais e um soldado foram feridos quarta-feira durante confrontos com manifestantes que protestavam contra a morte do jovem de 15 anos, sábado à noite em Atenas.

Manifestações, que terminaram em enfrentamentos com a polícia, também aconteceram em Madri e Barcelona, na Espanha, e um desconhecido lançou um coquetel molotov contra o consulado da Grécia em Moscou. Em Bordeaux, no sudoeste da França, dois veículos foram incendiados diante do consulado da Grécia.

Oficialmente, os estabelecimentos escolares reabriram suas portas nesta quinta-feira na Grécia, depois de um dia de luto terça-feira e uma greve geral na quarta-feira, mas muitas escolas e universidades ainda estavam ocupadas pelos estudantes.

Os movimentos estudantis anunciaram uma grande manifestação para amanhã (sexta-feira).

Segundo a legislação grega, a polícia não pode intervir nas universidades.

Enfraquecido por esta onda de violência, sem precedente no país desde 1974, criticado pelos manifestantes que denunciam a política de austeridade do governo, o primeiro-ministro da Grécia, o conservador Costas Caramanlis, viajou nesta quinta-feira a Bruxelas para participar da cúpula européia sobre o clima.

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