Crise poderá causar perdas mundiais de US$ 4 tri, diz FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a crise financeira global poderá provocar perdas mundiais que ultrapassarão US$ 4 trilhões. A conclusão, que se refere ao período desde o início da crise, em 2007, até 2010, consta do relatório divulgado pelo fundo nesta terça-feira, intitulado Global Financial Stability Report(Estabilidade Financeira Global, em tradução livre).

BBC Brasil |

A cifra trilionária, de acordo com o fundo, inclui perdas de US$ 2,712 trilhões de instituições financeiras americanas, de US$ 1,193 trilhões das europeias e de US$ 149 bilhões das instituições japonesas.

A projeção de perdas dos bancos americanos é quase o dobro da estimativa divulgada pelo fundo há seis meses.

O relatório avalia que "o sistema financeiro global permanece sob forte estresse e que a crise ameça incluir corporações, famílias e os setores bancários tanto dos mercados avançados como dos emergentes".

Mercados emergentes
O fundo também avalia que a crise está tendo um efeito muito grave nos mercados emergentes, levando a um êxodo de capitais nestes países que deverá prosseguir pelos próximos anos.

O órgão afirma que o fluxo líquido de capitais para os mercados emergentes deverá ser negativo em 2009 e que as perspectivas de que este fluxo retome no futuro o nível existente antes da crise são improváveis.

O FMI acrescenta que este fluxo não deverá ser restabelecido em 2010 e nem mesmo em 2011.

O relatório diz que os países mais afetados por esta retração serão os da Europa Central e do Leste Europeu, cujos bancos estão fortemente interligados aos da Europa Ocidental e que já foram atingidos pelo que chama de "riscos interligados".

De acordo com o fundo, "a saída de investidores e de bancos estrangeiros juntamente com o colapso no mercado de exportações criam pressões nas economias dos mercados emergentes que exigem atenção urgente".

As necessidades de refinanciamento dos mercados emergentes são grandes, diz o relatório, e podem ser estimadas em até US$ 1,8 trilhão para 2009.

O FMI estima que "a severidade da crise nos mercados emergentes e os riscos de contágio exigem uma ação forte e coordenada por parte dos autores de políticas (econômicas) no nível global, para garantir que mais liquidez esteja disponível".

Recomendações
O Fundo frisa que é preciso garantir que o sistema bancário tenha acesso à liquidez, que se identifique e lide com ativos problemáticos e que se recapitalize instituições que estejam enfraquecidas, mas que seguem sendo viáveis, ao mesmo tempo em que se deve atuar com rapidez para resolver a situação de bancos insolventes.

Tais tarefas são, para o FMI, peças essenciais para retomar a confiança no sistema financeiro mundial.

Mas o Fundo afirma que "o apoio político a diversas políticas de contenção da crise está diminuindo, na medida em que a opinião pública se desilude com o que interpreta como abusos de dinheiro do contribuinte em casos que ganham as manchetes", em uma clara referência aos pacotes bilionários de ajuda por parte do governo dos Estados Unidos a instituições financeiras do país.

O relatório diz que para retomar a confiança da população é preciso adotar políticas claras, consistentes e transparentes.

Em uma recomendação que destoa das receitas neoliberais do FMI em décadas passadas, o relatório chega a afirmar que a restruturação do sistema bancário em diferentes nações poderá levar até mesmo à posse provisória de instituições financeiras pelos governos.

"A atual incapacidade em atrair investimentos privados indica que a crise chegou a um ponto tão intenso que os governos precisam tomar passos mais ousados e não fugir às injeções financeiras, mesmo que isso represente assumir a maior parte ou mesmo o controle completo de instituições. A posse provisória poderá ser necessária, mas só com a intenção de restruturar a instituição, de modo a retomá-la para o setor privado o quanto antes."
Como tem feito em diversas ocasiões, o Fundo volta a pedir uma ação coordenada para conter a atual crise e dá como exemplo desse esforço coletivo o compromisso firmado na última reunião do G20, em Londres, no início de abril, na qual os diferentes países se comprometeram a destinar US$ 1 trilhão às nações mais afetadas pela crise.

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