Crise pode elevar número de crianças-soldado na Colômbia--ONU

BOGOTÁ (Reuters) - A crise econômica mundial pode levar mais crianças a se tornarem soldados dos grupos rebeldes colombianos, com os efeitos da crise sendo sentidos pela camada mais pobre da população, disse uma agência da ONU nesta quarta-feira. As guerrilhas da Colômbia e grupos paramilitares geralmente recrutam crianças como combatentes e espiões e o governo estima que no ano passado cerca de 8 mil crianças foram recrutadas no conflito que já dura quatro décadas. Eles seduzem soldados infantis com a oferta de dinheiro.

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"Os grupos armados não sofrerão com a recessão como os mais pobres do país", disse a repórteres, Paul Martin, representante na Colômbia do Fundo para a Infância da Organização das Nações Unidas.

"Eles continuarão a oferecer um milhão de pesos a crianças que vivem e sofrem cada vez mais devido à crise e cada vez mais estão inclinadas a aceitar as ofertas", disse.

A violência do conflito no país diminuiu desde que o presidente Alvaro Uribe enviou tropas --apoiadas pelos Estados Unidos-- para retomar áreas antes sob controle dos grupos ilegais. Rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) recuaram para áreas remotas da selva colombiana.

O investimento aumentou com a queda no número de assassinatos e atentados a bomba, mas a Colômbia recentemente cortou sua previsão de crescimento para este ano e para o próximo, sob o impacto da crise econômica mundial.

Agências de ajuda dizem que as Farc estão acelerando o recrutamento forçado de crianças para preencher posições após uma série de incursões militares e inúmeras deserções.

Crianças de 10 anos são usadas como informantes ou para transportar armas e, posteriormente, são treinadas como combatentes.

Em 2006, um grupo de direitos humanos informou que cerca de 11 mil crianças e adolescentes tenham pertencido a grupos armados colombianos. Mas o Ministério da Defesa estimou, ano passado, que este número era de 8 mil.

(Reportagem de Patrick Markey)

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