Crise pode elevar ainda mais taxa de suicídios na Coréia do Sul

Por Jon Herskovitz e Kim Junghyun SEUL (Reuters) - À medida que pioram os números da economia sul-coreana, os especialistas da área de saúde pública mostram-se preocupados com a possibilidade de pessoas em dificuldade financeira tirarem a própria vida no país, que já conta com a maior taxa de suicídio do mundo desenvolvido.

Reuters |

A taxa de suicídio da Coréia do Sul quase dobrou durante a crise financeira da Ásia, cerca de dez anos atrás, quando comparada com os anos anteriores. Especialistas disseram então que um dos fatores para o fenômeno era a pressão gerada pela perda de empregos e pela retração da renda.

"Muitas pessoas vêem esta crise financeira como uma questão de sobrevivência e isso pode levar a um aumento nas taxas de suicídio", afirmou Kim Jeong-il, especialista da área de saúde mental.

A economia sul-coreana, baseada nas exportações, viu-se duramente atingida pela atual desaceleração da economia global, fazendo com que as bolsas do país despencassem, com que aumentasse o número de falências e com que se elevasse a taxa de desemprego.

Como o suicídio é a quarta principal causa de morte na Coréia do Sul e a primeira entre as pessoas na casa dos 20 e 30 anos, entre as quais a famosa atriz Choi Jin-sil (que se matou no mês passado), meios de comunicação sul-coreanos apelidaram o país de a "República dos Suicídios".

Essa taxa elevou-se continuamente nos últimos anos, e isso apesar de um plano do governo, de 2004, que prevê medidas tais como aumentar o número de centros de aconselhamento e o treinamento de conselheiros.

O sistema de metrô de Seul também contribuiu com esses esforços instalando nas plataformas portas automáticas que se abrem quando a composição já parou na estação, evitando assim que as pessoas pulem nos trilhos.

Segundo especialistas, há uma ligação entre a taxa maior de suicídios e o aumento da riqueza no país -- a nova onda de opulência gerou, em uma sociedade já austera, pressões para que as pessoas tenham sucesso financeiro e acadêmico.

Medidas tradicionais de proteção, tais como colocar famílias morando em um mesmo lar, perderam espaço com o crescimento econômico, disse Lee Gwang-ja, professora de enfermaria na Universidade Ewha para Mulheres e vice-presidente da Associação Coréia para a Prevenção do Suicídio.

Um outro motivo que explica a alta taxa de suicídios na Coréia do Sul é seu precário sistema de saúde mental, que sofre com a falta de profissionais, recebe pouco dinheiro das seguradoras para pagar por tratamento e tem de responder ao forte estigma social que pesa sobre os que procuram ajuda psiquiátrica, disseram especialistas.

Em 1983, quando o país começava a superar os estragos deixados pela Guerra da Coréia e dava os primeiros passos rumo a tornar-se uma potência econômica, a taxa de suicídio era de 8,7 para cada 100 mil habitantes.

Em 207, quando o país tornou-se a 13a maior economia do mundo, a taxa era de 24,8 por 100 mil habitantes, um número maior que o do Japão e mais que o dobro da taxa verificada nos EUA.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG