Londres, 22 out (EFE).- A expansão da democracia estagnou-se e a recessão derivada da crise financeira mundial pode fazê-la retroceder em alguns países, segundo a divisão de análise da revista inglesa The Economist.

O "Economist Intelligence Unit Democracy Index 2008" (Índice de Democracia da Divisão de Análise da 'Economist') analisa os diferentes regimes políticos do mundo.

Segundo o índice, 30 Estados gozam de democracia plena; 50, entre os quais o Brasil, têm democracias defeituosas; 36 contam com um regime híbrido e 51 com um Governo plenamente autoritário.

Este índice, que destaca como a expansão vivida pela democracia nas últimas décadas foi substituída por uma tendência à estagnação, coloca Suécia, Noruega e Islândia nos três primeiros postos, seguidos por Holanda, Dinamarca, Finlândia, Nova Zelândia, Suíça, Luxemburgo e Austrália.

Espanha (15º), Japão (17º), Estados Unidos (18º), Reino Unido (21º) e França (24º) também estão entre as chamadas democracias plenas, grupo que inclui apenas dois países latino-americanos: Uruguai (23º) e Costa Rica (27º).

Os três países mais autoritários, segundo a "Economist" são Coréia do Norte, Chade e Turcomenistão.

China, Irã, Arábia Saudita, Líbia, Sudão e Cuba também estão entre os regimes autoritários.

Trata-se da segunda edição deste índice, após a primeira de 2006, que avalia o processo eleitoral, o pluralismo, o desempenho das funções do Governo, a participação política, a cultura política e as liberdades civis dos diferentes Estados.

O documento destaca que metade da população mundial vive na democracia, mas apenas 14% em democracias plenas.

A divisão de análise da "Economist" explica que, embora não existiu uma clara regressão nos dois últimos anos, também não houve exemplos de melhoria.

Além disso, mostra sua preocupação com que a recessão econômica derivada da crise financeira global possa ameaçar a democracia em algumas partes do mundo.

A publicação alerta para o possível impacto da crise nas "frágeis instituições democráticas dos países de mercados emergentes".

Segundo o documento, as conseqüências dependerão da profundidade e duração da recessão econômica, assim como as respostas governamentais e financeiras ao capitalismo.

A crise pode, segundo a análise, encorajar forças extremistas na Europa e movimentos contrários à imigração, o que, junto à preocupação pelo terrorismo, poderia derivar em um corte de liberdades civis, fato que já adverte nos EUA.

Também são possíveis tensões sociais, que, em nações vulneráveis e com pouca tradição democrática, tem maior risco de terminar em golpe.

Entre os países com este alto risco, a divisão de análise de "The Economist" cita Bolívia, Honduras, Nicarágua, Panamá, Peru, Equador, Haiti e Venezuela.

Além disso, o relatório alerta que a crise do capitalismo nos países com maiores liberdades civis poderia fazer os países emergentes enxergarem "o modelo chinês de capitalismo autoritário" como uma alternativa atraente. EFE vmg/jp

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