Crise pode aumentar imigração clandestina, afirmam especialistas

Manila, 27 out (EFE) - A crise financeira mundial provocará um aumento da imigração clandestina, segundo alertou hoje Sharan Burrow, presidente da Confederação Internacional de Sindicatos Livres, que reúne organizações de 155 países. A reação dos Governos ao aumento do desemprego foi anunciar a expulsão de imigrantes para poder oferecer esses postos de trabalho a seus cidadãos, como ocorreu durante a crise da Ásia, em 1997, disse a ativista. Ela acrescentou que essa expulsão só contribuirá para aumentar a imigração ilegal, pois não existem alternativas para os imigrantes em seus países de origem. Atualmente, existem 40 milhões de imigrantes ilegais, sendo dez milhões nos Estados Unidos, segundo Burrow, encarregada de inaugurar as jornadas de debate civil do segundo Fórum Global sobre Migrações e Desenvolvimento, realizado até 30 de outubro em Manila, nas Filipinas. A crise provocará a destruição de 20 milhões de postos de trabalho e os primeiros a sofrer serão os imigrantes. Especialmente quando um dos setores mais prejudicados é a construção, onde há muita mão-de-obra estrangeira, explicou Burrow.

EFE |

A desaceleração econômica também afetará os países de origem dos imigrantes, que dependem muito das remessas que estes enviam a suas famílias.

"Estamos falando de bilhões de dólares. As Filipinas, por exemplo, recebem US$ 15 bilhões em remessas. Há países, como a Moldávia, onde estas representam 20% do Produto Interno Bruto (PIB)", destacou.

No entanto, estes não são os únicos desafios que a imigração enfrenta por causa da atual situação econômica.

Oscar Chacon, diretor da Aliança Nacional de Comunidades Latino-americanas e Caribenhas e um dos delegados de 170 países presentes nas discussões, afirmou que "os salários dos imigrantes diminuirão devido à forte concorrência" e haverá um aumento "da xenofobia e da discriminação".

"Além disso, o reagrupamento familiar será mais complicado devido às restrições anunciadas pelos Governos", acrescentou.

No entanto, Chacon é otimista, ao entender que "uma crise é uma oportunidade de mudança".

Segundo ele, "é preciso introduzir maior transparência no sistema financeiro", além de "aproveitar para melhorar as políticas migratórias".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, assistirá na quarta-feira à inauguração das conferências governamentais do fórum, que reunirá 15 ministros e vice-ministros de Imigração de países como Gana, África do Sul e Iraque em 29 e 30 de outubro.

O fórum foi proposto pelo ex-líder da ONU Kofi Annan em setembro de 2005, durante um debate na Assembléia Geral da organização em Nova York.

O primeiro fórum ocorreu no ano passado em Bruxelas. EFE mgs/ab/db

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