Crise pelas Farc agita Cúpula América Latina-UE

As acusações da Colômbia contra a Venezuela e o Equador de terem relações com as Farc agitou a Cúpula América Latina-União Européia nesta sexta-feira em Lima, após a divulgação da análise da Interpol sobre os arquivos eletrônicos da guerrilha.

AFP |

Pouco antes da abertura do encontro, o presidente equatoriano Rafael Correa acusou o governo de Alvaro Uribe de "caluniar" com o informe da Interpol, segundo o qual não ocorreu alteração dos documentos em que Bogotá sustenta sua acusação.

Chávez, que chegou a Lima na madrugada desta sexta-feira, já começou as críticas antes mesmo de sair de Caracas, ao classificar a divulgação do informe da Interpol, na quinta-feira, como um "show de palhaços".

"A Colômbia e os Estados Unidos tentam usar (o informe da Interpol) para continuar agredindo os governos da Venezuela e do Equador", disse Chávez ao assinalar que colocaria "a revisão" o futuro das relações com Bogotá.

As tensões pelas suspeitas de Bogotá se devem a crise gerada pelo ataque militar colombiano contra um acampamento das Farc no Equador, em 1º de março, que deixou 20 mortos - entre eles Raul Reyes, número dois da guerrilha.

Após o bombardeio, que levou à ruptura das relações entre Quito e Bogotá, as autoridades colombianas disseram ter encontrado um computador com dados que comprovariam as relações de Quito e Caracas com as Farc.

"A Interpol disse de maneira contundente que a Colômbia não alterou os computadores, que a polícia procedeu com toda transparência", afirmou Uribe na quinta-feira.

Apesar do tema ter aumentado a tensão na Cúpula, o chanceler colombiano Fernando Araújo confirmou que Uribe não deve se reunir com Chávez ou Correa, mas destacou que os vice-chanceleres Camilo Reyes - Colômbia - e José Valencia - Equador - se encontraram em Lima na tentativa de normalizar as relações.

"Acredito que há presidentes muito mais conflitivos na região que Hugo Chávez. O problema não é o Equador ou a Venezuela. É a Colômbia", disse Correa nesta sexta-feira.

Em sua defesa, Uribe desviou a responsabilidade para as Farc. Pouco antes de entrar no fórum de presidentes, o presidebte assinalou que após os problemas que a guerrilha gerou, deveria libertar todos os reféns.

Para Chávez, contudo, será "muito difícil" conseguir novas libertações de reféns ou avançar na troca humanitária.

"Uribe não quer que essas pessoas saiam de lá e acredito que não quer porque (o presidente americano George W.) Bush não quer", declarou Chávez na quinta-feira.

Washington, por sua vez, também ajudou a aumentar a polêmica. O porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, afirmou que os informes que mostram relações de Caracas com as Farc "são preocupantes".

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