Crise nuclear no Japão: neve aumenta risco de contaminação

Nevasca no Japão traz para o solo as partículas radioativas liberadas na atmosfera

iG São Paulo |

A forte nevasca que atinge o Japão nesta quarta-feira pode aumentar os riscos de contaminação com o material radioativo liberado pelas usinas de Fukushima. De acordo com Hilton Silveira Pinto, diretor do Centro de Pesquisas Meteorológicas da Unicamp (Cepagri), as condições climáticas fazem com que a contaminação atmosférica vá para o solo. “Tanto a neve quanto a chuva limpa aquilo que está na atmosfera e leva a poluição para baixo”, disse ao iG .

De acordo com o serviço de previsão da Organização Mundial de Meteorologia (WMO), embora as temperaturas mínimas caiam para -2°C nesta quinta-feira (17), a expectativa é que não neve em Sendai amanhã.

Outra questão importante está relacionada aos ventos. O professor explica que embora as condições meteorológicas no nordeste do Japão indiquem predominância de vento oeste, que levam as partículas radioativas para o oceano, há também a ocorrência de ventos para o Nordeste. “De um modo geral a preponderância era de vento Oeste, mas o sistema é variável”, disse.

Reuters
Resgatistas passam por carro destruído durante nevasca em Sendai

A nevasca dificulta as operações de resgate e a chegada de ajuda humanitária aos sobreviventes do tremor seguido de tsunami que atingiu o Japão na sexta-feira.

As principais estradas para a costa nordeste do país foram reabertas e o Exército está usando helicópteros para levar bens de primeira necessidade aos desabrigados, que estão vivendo em casas, escolas e ginásios que ficaram de pé após a tragédia.

O número oficial de mortos chega a 4,3 mil, mas as expectativas são de que este número suba muito, já que foram encontrados muitos corpos não identificados em regiões de litoral. Na cidade de Otsuchi, ainda não se sabe o que aconteceu com metade da população, cerca de oito mil pessoas.

Em uma rara aparição na TV, o imperador do Japão, Akihito, disse estar orando pelas vítimas do desastre. "Do fundo do meu coração, espero que as pessoas se deem as mãos e se mostrem compaixão umas com as outras para superar esses tempos difíceis", afirmou o monarca. "O terremoto foi sem precedentes e sinto muito pelas pessoas que sofreram com esse desastre terrível."

Ele também se disse "profundamente preocupado" com a crise nuclear no país. "O acidente na usina me causa profunda preocupação e espero que os esforços dos funcionários possam evitar que a situação piore", afirmou, em pronunciamento na televisão japonesa.

Perigo nuclear

Os técnicos estão trabalhando para evitar uma catástrofe nuclear na usina de Daiichi, em Fukushima, onde uma falha no sistema de resfriamento dos reatores já causou três explosões e vazamento de material radioativo.

Nesta quarta-feira, um incêndio atingiu o reator número 4 da usina e o aumento nos níveis de radiação do local obrigou os trabalhadores a abandonar temporariamente a instalação. O porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, disse que os níveis de radiação voltaram a cair e os técnicos retomaram os trabalhos de estabilização do reator. Mas o container que abriga o reator pode ter sofrido dano, afirmou o porta-voz.

Funcionários do governo aconselharam moradores num raio de 20 a 30 km da usina a deixar a área ou permanecer abrigados. Uma zona de exclusão aérea foi estabelecida sobre o complexo nuclear.

Em Tóquio, a mais de 200 quilômetros de Fukushima, o nível de radiação sofreu uma pequena elevação - suficiente para amedontrar os moradores, que começam a estocar mantimentos.

Com BBC

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