Crise nos EUA aprofunda divisões na América Latina, diz jornal

A crise financeira mundial fez o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, mudar o discurso e subir o tom em relação aos Estados Unidos, segundo uma reportagem publicada nesta quarta-feira no jornal americano Washington Post. O jornal destaca as declarações de Lula durante a abertura da reunião da Assembléia Geral da ONU em Nova York, na semana passada.

BBC Brasil |

"Lula enfatizou que "a avareza sem limites" de poucos não poderia ser carregada por todos, e que as economias emergentes haviam feito seu melhor para seguir boas políticas fiscais, não podendo ser vítimas do cassino erguido pela economia americana".

Segundo o diário americano, a crise no setor financeiro americano "picou" os mercados emergentes e enfureceu líderes que "engoliram" durante anos os conselhos americanos sobre responsabilidade fiscal.

"Na América Latina, onde vários líderes fizeram de suas diferenças ideológicas com os Estados Unidos uma parte central de sua retórica, a crise parece ter degradado ainda mais a credibilidade americana".

'Vagão da morte'
Na avaliação do jornal, na América Latina há uma crescente divisão entre países que abraçam certas políticas de livre mercado americanas e os que as rejeitam.

"O porta-voz líder do lado anti-americano é Hugo Chávez, que viajou ao Brasil na terça-feira e pediu aos países vizinhos que continuem a se desconectar da economia americana, classificada por ele como 'vagão de morte'".

"Na Bolívia, Evo Morales disse que as empresas estão sendo nacionalizadas para que as pessoas tenham dinheiro, enquanto nos Estados Unidos querem nacionalizar dívidas e a crise das pessoas que já têm dinheiro".

Segundo o Washington Post, alguns analistas e economistas estão receosos de que países que expressam seu antagonismo aos Estados Unidos - Venezuela, Bolívia, Equador e em certa parte a Argentina - explorem a crise para tirar "benefícios políticos".

Sobre os efeitos da crise no Brasil, o diário destaca que o destino da China terá importância mais imediata sobre as exportações brasileiras do que o que acontecer nos Estados Unidos.

"Ainda assim, alguns economistas prevêem que a taxa de crescimento do Brasil, projetada para 5% este ano, poderá cair para apenas 2% em 2009 se os Estados Unidos forem dominados por uma recessão".

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