Crise não pode tirar clima de agenda da UE, diz Barroso

Por Paul Taylor BRUXELAS (Reuters) - O chefe da Comissão Européia, José Manuel Barroso, pediu nesta terça-feira aos líderes do bloco que não sacrifiquem a luta contra as mudanças climáticas por causa dos problemas econômicos urgentes provocados pela crise financeira global.

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O presidente do Poder Executivo da União Européia (UE) disse que a retração do crédito não era motivo para alterar os ambiciosos planos de combate ao aquecimento global elaborados pelo bloco. A UE pretende reduzir a emissão de gases do efeito estufa, diminuir o consumo de energia e promover a utilização de fontes alternativas de combustível.

"Isso não é um luxo do qual precisamos agora abrir mão. Salvar o planeta não é igual a um drinque depois do jantar, um 'digestivo' que se toma ou não. As mudanças climáticas não desaparecerão por causa da crise financeira", afirmou Barroso em uma entrevista coletiva.

O presidente da Comissão deu essas declarações à véspera de uma cúpula da UE cuja agenda viu-se tomada pelas medidas de combate à crise financeira, de resgate aos bancos e de proteção aos correntistas.

Segundo Barroso, o bloco deveria ater-se a suas metas de, até 2020, reduzir a emissão de gases do efeito estufa para um patamar 20 por cento inferior ao de 1990, economizar 20 por cento de energia por meio de um gasto mais racional e obter 20 por cento de sua energia por meio de fontes renováveis.

"Claro que, em uma crise, os governos tornam-se mais defensivos", disse, acrescentando que a UE deveria atingir essas metas de forma flexível.

Em Varsóvia, o comissário da UE para o Meio Ambiente, Stavros Dimas, afirmou que a criação de uma economia com baixo consumo de carbono era fundamental para o crescimento econômico e a manutenção dos empregos. Além disso, segundo Dimas, essa manobra ajudaria, ao invés de prejudicar, os esforços para superar a crise financeira.

A França, que ocupa atualmente a Presidência rotativa da UE, pretende selar em dezembro um acordo político entre os 27 países-membros da entidade e com o Parlamento Europeu a respeito do pacote climático.

No entanto, vários países já manifestaram sua preocupação com o custo provável das medidas para o setor industrial neste momento em que várias economias da UE encontram-se ou em recessão ou ameaçadas por uma recessão em vista da crise.

Em encontros ministeriais realizados na semana passada, a Itália e a Polônia mostraram-se as mais contundentes quanto a exigir uma reavaliação das metas adotadas em tempos mais prósperos (março de 2007), disseram diplomatas.

(Reportagem adicional de Ingrid Melander e Marcin Grajewski em Bruxelas e Gareth Jones em Varsóvia)

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