Crise não ameaça discussões climáticas, diz diplomata

CINGAPURA - As discussões promovidas pela ONU sobre como controlar o efeito estufa estão correndo contra o tempo, mas não foram afetadas pela crise financeira global, disse na sexta-feira um diplomata australiano muito envolvido na questão climática.

Reuters |

Autoridades de cerca de 190 países se reúnem a partir do dia 1o de dezembro em Poznan, na Polônia, como parte de uma série de discussões sobre um novo tratado climático global que substitua o Protocolo de Kyoto a partir de 2013.

Um dos principais objetivos do novo tratado é instituir metas de redução das emissões de gases do efeito estufa para países que não participam do Protocolo de Kyoto, especialmente Estados Unidos, China e Índia.

O tratado deve ser concluído em dezembro de 2009 num evento da ONU em Copenhague (Dinamarca). Antes disso, porém, muitos detalhes precisam ser resolvidos.

"Não detectei nenhuma mudança de abordagem como resultado da crise financeira", disse Howard Bamsey, representante especial da Austrália para a questão climática.

Há quem tema que a retração do crédito e a possível recessão global adiem os esforços contra o aquecimento.

Yvo de Boer, principal autoridade climática da ONU, disse na semana passada que ambas as questões podem fazer os países ricos relutarem em desviar sua arrecadação para medidas climáticas.

"Isso está obviamente preocupando muita gente que estará envolvida no processo da mudança climática. Mas não vejo nenhum impacto imediato sobre as negociações", disse Bamsey à Reuters, de Canberra.

"Estamos agora num processo de negociação genuína, onde há um amplo comprometimento na busca por um acordo. Isso criou impulso", disse Bamsey, que participou das negociações que levaram à assinatura do Protocolo de Kyoto, em 1997, e que até hoje só deixou de comparecer a uma reunião anual da ONU sobre a mudança climática.

Ao longo do próximo ano, os países precisarão resolver quantas verbas e assistência dedicarão à adaptação dos efeitos climáticos, como o aumento dos níveis dos mares, degelo de glaciares e intensificação de secas e inundações.

"O que tem de ser negociado é o papel da cooperação internacional além da ação local", disse Bamsey, referindo-se à busca por uma fórmula que ajude todos os países a se adaptarem.

Outras questões importantes são a transferência de tecnologias limpas e a definição do mecanismo de créditos pelo qual os países pobres receberiam dinheiro para manter suas florestas, que são capazes de absorver enormes quantidades de dióxido de carbono, o mais importante dos gases do efeito estufa.

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