Crise não altera prioridades de Obama, dizem assessores

Por Andy Sullivan WASHINGTON (Reuters) - A crise econômica não vai impedir Barack Obama de expandir os planos de saúde, revisar o sistema educacional e as políticas energéticas e aprovar um corte de impostos para a classe média pouco depois de assumir o cargo em janeiro, disseram importantes assessores do presidente eleito dos EUA neste domingo.

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Nesse meio tempo o Congresso americano deveria agir para suavizar o sofrimento de uma economia que caminha para a recessão ampliando os benefícios para desempregados e reforçando a ajuda a estados que lutam para cumprir suas obrigações com o sistema de saúde, disseram eles.

A equipe de transição de Obama delineou uma agenda ambiciosa para os próximos meses, enquanto se apressa para montar uma equipe de governo diante do que é amplamente reconhecido como a pior crise econômica desde a Grande Depressão.

A crise não vai impedir Obama de encarar as prioridades que ele delineou durante a campanha, disse John Podesta, co-líder da equipe de transição de Obama.

Estas incluem ampliar os serviços de saúde para os 47 milhões de pessoas sem cobertura, reduzir a dependência dos EUA do petróleo estrangeiro e melhorar a educação pública, disse Podesta.

"Todas essas são questões centrais da economia e precisam ser enfrentadas juntas, e acho que vamos ter um programa e uma estratégia para avançar agressivamente em todas essas frentes", afirmou Podesta no programa "Late Edition" da CNN.

Espera-se que o Congresso retorne para uma sessão temporária já na semana que vem para decidir um pacote de estímulo derrotado pelos senadores republicanos em setembro.

O pacote não deve estar ligado ao tratado de livre comércio com a Colômbia, como alguns republicanos insinuaram, disse o representante de Illinois e futuro chefe de gabinete Rahm Emanuel.

"Não se ligam essas necessidades essenciais a um outro tratado de comércio", disse Emanuel no programa "This Week", da rede ABC.

MAIORIA DEMOCRATA AMPLIADA

O líder democrata no Senado, Harry Reid, alertou entretanto que terá mais dificuldades para aprovar qualquer estímulo econômico antes de janeiro, quando o novo Congresso irá refletir os ganhos da recente eleição com uma maioria democrata ampliada.

"Sou veterano o suficiente e experiente o suficiente para saber que não se faz alguma coisa com coisa nenhuma. Preciso de votos", disse Reid ao "Late Edition. "Não faz sentido para mim obter um voto no plenário que sei que vou perder."

Emanuel disse que Obama tem em vista aprovar outro pacote de estímulo em janeiro, este contendo um corte de impostos para a classe média e projetos de construção para gerar empregos. Ele se recusou a dizer se Obama ainda pretende implementar um aumento de impostos para os mais ricos.

Estima-se que as propostas de estímulo de Obama vão custar cerca de U$190 bilhões.

É provável também que ele aja rápido para reverter certas ordens executivas da administração de George W. Bush. Estas incluem pesquisas com células-tronco e a exploração de gás e petróleo em certas áreas, disse Podesta à Fox News neste domingo.

"Creio que no quadro geral, nas pesquisas com células-tronco e em uma série de áreas, percebe-se o governo Bush até mesmo agora agindo agressivamente para fazer coisas que acho que provavelmente não são do interesse de nosso país", disse Podesta.

"Eles querem explorar gás e petróleo em algumas das terras mais frágeis e sensíveis de Utah, vão tentar fazer isso mesmo agora que estão de saída."

O representante da Carolina do Sul James Clyburn, terceiro homem na hierarquia democrata na Câmara dos Deputados, disse à CNN que o sistema de saúde deveria encabeçar a agenda do próximo Congresso.

Mas o senador republicano da Flórida Mel Martinez disse no programa "Meet the Press", da rede NBC, que seria "um grande erro" enfrentar um plano de saúde ambicioso e que causa grande divisão política. "Não podemos lidar com o sistema de saúde na atual atmosfera de crise que vivemos", disse ele.

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