Por Denis Dyomkin PETROPAVLOVSK-KAMCHATSKY, Rússia (Reuters) - O presidente russo, Dmitry Medvedev, disse nesta quinta-feira que a modernização das Forças Armadas do seu país não será afetada pela atual crise financeira global.

"A despeito de qualquer crise, devemos construir novos submarinos, devemos simplesmente tratar da modernização das Forças Armadas", disse Medvedev aos tripulantes do submarino nuclear "São Jorge, o Vitorioso", durante visita a uma base naval na península de Kamchatka, no extremo oriente.

"Nosso país tem meios e recursos para isso", acrescentou o presidente, em declarações transmitidas pela TV.

O antecessor de Medvedev, Vladimir Putin, fez da recuperação das Forças Armadas, negligenciadas na primeira década pós-soviética, um símbolo da ressurreição russa e um argumento adicional na assertiva política externa do Kremlin.

Medvedev, que tomou posse em maio, enfrenta além da crise financeira um atrito com o Ocidente por causa da ocupação da Geórgia, em agosto.

O presidente diz que aquele confronto demonstrou a necessidade russa de equipar seu Exército com armas mais atualizadas. Putin, hoje primeiro-ministro, diz que o orçamento militar vai crescer 28 por cento no próximo ano.

Ao contrário de Putin, que já voou em um caça supersônico, passeou de submarino nuclear e apareceu fardado, Medvedev vinha adotando um estilo mais "civil" nas suas visitas a instalações militares.

Nesta quinta-feira, porém, o advogado de 43 anos, fã de Internet e ioga, foi com farda da Marinha à base naval de Vilyuchinsk.

Acompanhado de outras autoridades, ele visitou o submarino construído em 1978 e equipado com mísseis transcontinentais, capazes de transportar ogivas nucleares. Medvedev tomou chá com os tripulantes, a quem prometeu mais programas sociais e habitacionais.

"Estamos falando de dezenas de bilhões de rublos (bilhões de dólares)", disse Medvedev aos marinheiros. "Acho que vamos finalmente resolver o problema da habitação digna para os militares."

Medvedev disse que nem a pressão ocidental nem as preocupações econômicas -- que ameaçam a fase de prosperidade advinda dos preços elevados do petróleo -- vão afetar o compromisso do governo com o fortalecimento militar.

"No que diz respeito aos outros problemas globais, temos uma economia sustentável. Temos suficientes recursos materiais e intelectuais para não depender de ninguém", disse.

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