Santa Cruz, capital da região mais rica da Bolívia, estava nesta quinta-feira isolada do restante do país por bloqueios de estrada, tanto de grupos civis da oposição quanto de camponeses pró-governo, em meio a uma forte crise política nacional, informou a imprensa boliviana.

Camponeses ligados ao Movimento ao Socialismo (MAS), do presidente Evo Morales, levantaram bloqueios nas comarcas de San Julián e Cuatro Cañadas, 100 km ao norte de Santa Cruz, na estrada que une a cidade à amazônica Trinidad.

Em Cuatro Cañadas, os agricultores colocaram pedras e até escavaram valetas com tratores para impedir a circulação de veículos, constatou um fotógrafo da AFP.

Pelo oeste, em Bulo Bulo, um povoado sobre a região "cocalera" do Chapare, "cocaleros" começaram ontem um bloqueio de estradas em protesto pela invasão e pelo saque de repartições públicas por parte de jovens de ultradireita.

Santa Cruz também está incomunicável com o sudeste boliviano, já que a estrada que cruza de norte a sul o Chaco boliviano, contígua à Argentina e ao Paraguai, está intransitável há três semanas, com bloqueios de grupos civis de oposição.

O único meio de chegar à cidade é por via aérea, embora a entrada do aeroporto internacional de Viru Viru, o de maior tráfego, esteja impedida por grupos rebeldes de direita.

Nessa cidade de 1,4 milhão de habitantes, continuavam pelo terceiro dia, nesta quinta-feira, a tomada dos gabinetes públicos, após os violentos confrontos de terça entre jovens e forças combinadas do Exército e da Polícia, com saldo de vários feridos.

Santa Cruz, capital do departamento de mesmo nome e o mais rico do país, lidera a oposição ao presidente Evo Morales.

jac/tt

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