Crise mundial dificulta cumprimento de Objetivos do Milênio, reconhece Ban

Isabel Saco. Genebra, 6 jul (EFE).- A crise econômica e financeira mundial está dificultando ainda mais o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), advertiu hoje o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, junto com a divulgação de um relatório sobre o que já foi conseguido e o muito que resta por fazer.

EFE |

"O cenário econômico atual faz com que conseguir os objetivos seja ainda mais difícil", declarou Ban ao abrir em Genebra a reunião anual do Conselho Econômico e Social da ONU.

Os ODM são uma série de metas concretas estipuladas pela comunidade internacional no ano 2000 e que incluem a redução da pobreza e um maior acesso à educação, à saúde e ao saneamento básico, entre outras, rumo a 2015.

Os problemas econômicos não foram os únicos aos quais Ban se referiu. Ele também abordou a gravidade da crise de alimentos ocorrida no ano passado e que "reverteu a tendência de quase duas décadas na redução da pobreza".

O secretário-geral da ONU também se mostrou muito preocupado com a situação da saúde materna, uma das áreas que registraram menos progressos.

"A cada minuto, uma mulher morre no parto, e 99% dessas mortes ocorrem em países em desenvolvimento, algo que deve ser inaceitável para todos nós", destacou.

Igualmente alarmante, reconheceu, é que "o impulso na redução da pobreza nos países em desenvolvimento também esteja perdendo força".

Ban comentou que um dos objetivos que já fracassaram, já que seu prazo expirou em 2005, foi o de eliminar a disparidade de gênero nos ensino fundamental e médio.

Sobre a meta referente ao saneamento básico, o secretário-geral da ONU sustentou que 1,4 bilhão de pessoas deveriam ter acesso ao serviço até 2015.

A falta deste tipo de estrutura ameaça a saúde de pelo menos 2,5 bilhões de pessoas no mundo.

"Avançamos de maneira lenta demais para alcançar nossos objetivos", opinou Ban, para enfatizar em seguida que a experiência demonstrou que, "com as políticas e o financiamento adequados e um forte compromisso político, é possível conseguir resultados impressionantes".

Entre os avanços citados no relatório da ONU, o responsável pela entidade destaca que a quantidade de pessoas na extrema pobreza no mundo em desenvolvimento passou de 1,8 bilhão para 1,4 bilhão entre 1990 e 2005.

No entanto, Ban Ki-moon destacou que esse progresso significativo pode ter se perdido em consequência da crise.

Se estima que, em 2009, entre 55 e 90 milhões de indivíduos em extrema pobreza se somarão ao número previsto antes da crise.

Por regiões, a América Latina e o Caribe demonstraram que seguem um bom caminho para alcançar os ODM antes da data limite de 2015, embora a crise econômica ameace o conseguido em matéria de redução da pobreza e de luta contra a fome.

Prova disto é que a tendência à erradicação da fome que começou no início dos anos 90 - a proporção de pessoas que vivem sob esta situação passou de 12% para 8% em 2006 - "foi interrompida em 2008 por causa do aumento dos preços dos alimentos", lamenta o relatório.

Dados recentes da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO, em inglês), que não puderam ser incluídos no relatório, calculam o número atual de pessoas que passam fome na região em 53 milhões, 13% a mais do que em 2008. EFE is/bba

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