Crise manda para casa definitivamente milhões de chineses no Ano Novo

Tania Romero. Pequim, 8 jan (EFE).- A volta para casa de milhões de pessoas para comemorar o Ano Novo chinês com as famílias começou sem grandes aglomerações e marcada pela crise econômica, que deixou sem trabalho cerca de dez milhões de imigrantes rurais que, em muitos casos, retornarão a seus lugares de origem definitivamente.

EFE |

A tradição de festejar com a família o começo do Ano Lunar, que, nesta ocasião, será em 26 de janeiro, leva milhões de pessoas a se deslocar, nestas datas, a seus lugares de origem na que é a maior mobilização festiva do mundo.

Acredita-se que, neste Ano Novo, o número de deslocamentos chegue a 2,32 bilhões, nos quais mais da metade da população da China - o país mais habitado do planeta, com 1,3 bilhão de pessoas - estará envolvida.

No entanto, desta vez muitas dessas viagens não serão de ida e volta, já que as visitas aos lares devido à festividade se misturam com o retorno em massa ao campo dos imigrantes sem trabalho e sem expectativa de encontrar emprego nos próximos meses, o que antecipou a "operação saída" do Ano Novo.

Segundo dados oficiais, oito dos dez milhões de imigrantes rurais que perderam os empregos desde o começo da crise global não têm outro remédio além de voltar para casa definitivamente.

O fechamento de milhares de pequenas fábricas, afetadas pela paralisação das exportações aos Estados Unidos e à União Européia (UE), e a desaceleração econômica da China deixaram sem emprego muitos imigrantes, que encontram dificuldade até mesmo para comprar uma passagem de ônibus, o meio de transporte mais barato do país.

Isso o torna o preferido pela maioria dos viajantes para voltar para casa nas duas semanas de duração do Festival da Primavera, que começa após o Ano Novo.

As autoridades chinesas estimam que, este ano, haverá 2,077 bilhões de trajetos em ônibus, 3% a mais que em 2008.

Segundo as estimativas e apesar da crise, o transporte aéreo, o mais caro do país, aumentará 12% em relação a 2008, embora o avião continue sendo o meio de transporte menos utilizado, com 24 milhões de trajetos, abaixo inclusive do marítimo, com 29 milhões.

Outras 188 milhões de pessoas usarão o trem, 8% a mais que no ano passado, e os mais madrugadores já foram comprar as passagens para evitar as longas filas que se formarão nas estações ferroviárias nos próximos dias.

É o caso de um operário da província de Jiangsu, no leste do país, que afirmou à Agência Efe na Estação de Pequim, a maior da capital, que tinha ficado duas horas na fila para comprar uma passagem.

Por enquanto, há bastante calma na estação da capital chinesa e não há muita preocupação em ficar sem trem, mas foram habilitadas bilheterias extras para estes dias.

Em 1º de janeiro já partiram em direção a suas casas 130 mil, só na principal estação de trem pequinesa, enquanto na de Cantão, sul, o sistema de informática caiu durante quase três horas no dia 4 de janeiro, após a emissão de 160 mil passagens ao mesmo tempo, quase um mês antes do Ano Novo.

As previsões são que nos próximos dias aumente o número de pessoas que tente viajar, muitas das quais no ano passado não puderam chegar a tempo em casa pelas piores nevascas dos últimos 50 anos, que varreram parte do país e paralisaram estradas e estações de trem, com milhares de passageiros presos. EFE trr/db

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