Crise leva americanos a buscar na internet dinheiro para estudos

Paula Gil. San Francisco, 13 out (EFE).- Milhões de estudantes americanos pedem empréstimos bancários para pagar as altas taxas universitárias, mas a crise financeira popularizou sites que ajudam os universitários com problemas para arrecadar fundos entre amigos e familiares.

EFE |

Embora muitos deles existam há bastante tempo, a crise aumentou o número de usuários de páginas como GreenNote, Fynanz e Zopa, especializadas em ajudar estudantes a arrecadar fundos entre o resto da comunidade na internet.

"Estamos recebendo uma grande demanda nos últimos dias", disse à Agência Efe Akash Agarwal, executivo-chefe do GreenNote.

"Definitivamente, há mais estudantes interessados".

A idéia é similar ao modelo dos microcréditos: os estudantes pedem quantidades geralmente pequenas e os credores confiam na boa vontade do receptor para recuperar seu capital.

As páginas funcionam como intermediárias e costumam apresentar a operação mais como um investimento do que como um crédito, pois a pessoa que concede empréstimos demonstra confiança na próxima geração de profissionais do país.

Com taxas que podem chegar a US$ 40 mil anuais, muitos estudantes nos EUA recorrem a empréstimos federais para financiar sua educação.

O Departamento do Tesouro, que já garantiu títulos comerciais e hipotecas desvalorizadas, prometeu nesta sexta-feira que garantirá o acesso aos empréstimos estudantis, que nesse ano letivo chega a US$ 51 bilhões.

No entanto, muitos não podem ter acesso a eles ou esgotam a quantia permitida, por isso que acabam recorrendo aos bancos privados. Segundo o College Board, em 2007, 24% dos estudantes pediram créditos bancários, contra 6% em 1997, com taxas de juros que chegam a 20%.

Já sites como o GreenNote e o Zopa oferecem uma alternativa com juros que giram em torno de 6,8% e condições mais vantajosas para o pagamento.

Estes sites distribuem o pedido do estudante entre seus amigos e familiares via e-mail e, se alguém decidir contribuir, envia o dinheiro diretamente à universidade do estudante.

Além disso, qualquer pessoa que visite essas páginas pode ver os pedidos e contribuir para financiar um estudante que pareça mais promissor, ou simplesmente simpático.

Embora todas essas páginas funcionem de maneira similar, as condições variam. A Zopa, por exemplo, pode adiantar o capital aos estudantes e a Fynanz garante a devolução do crédito às pessoas que fazem empréstimos, embora cobre juros maiores.

Algumas universidades, como a de Santa Clara na Califórnia, recomendam inclusive esse tipo de serviço em seu site para ajudar os estudantes com dificuldades financeiras.

"Estas páginas oferecem a oportunidade de investir diretamente em uma pessoa", disse Richard Toomey, responsável de novas inscrições da Universidade de Santa Clara.

"Pensamos que valia a pena experimentar um acordo de associação", acrescentou Toomey, cuja universidade recomenda os serviços do GreenNote.

Patricia Garced, estudante da Academia de Arte de San Francisco, também decidiu arriscar o GreenNote para alcançar seu sonho de ingressar nesta escola universitária privada e trabalhar como publicitária.

"Me inteirei sobre o GreenNote buscando no Google e utilizei este site como último recurso", disse à Efe esta estudante com raízes em El Salvador e Porto Rico. "É duro quando o Governo só te dá uma determinada quantidade de dinheiro", reclamou.

O objetivo de Garced é arrecadar US$ 4.100 para poder continuar sua formação, mas ela ainda está muito longe da meta.

"Infelizmente, não arrecadei nada", lamenta. "Não tenho parentes, mas pensei que outras pessoas poderiam ver o anúncio. De certo modo, me enganei", disse. EFE pg/ab/rr

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