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Crise intensifica dia mais deprimente do ano para britânicos

Os britânicos estão sentindo os efeitos da chamada Blue Monday (expressão que pode ser traduzida como Segunda-feira Triste) de forma particularmente intensa neste ano, de acordo com especialistas em tendências de comportamento. A Blue Monday é calculada de acordo com uma fórmula criada pelo psicólogo Cliff Arnall que leva em conta seis fatores para determinar o dia mais deprimente do ano na Grã-Bretanha.

BBC Brasil |

Em 2009, o dia identificado foi 19 de janeiro.

A fórmula usa como base o clima (o país vive um inverno longo e rigoroso), dívidas, o número de dias passados desde as festas de Natal, o número de dias passados desde que foram quebradas as resoluções de Ano Novo, baixos níveis de motivação e uma sensação de que é preciso tomar alguma atitude.

As notícias neste ano são ainda mais sombrias do que o próprio inverno, e o astral da população despencou, de acordo com pesquisadores.

"Verificamos um aumento vertiginoso na preocupação com a economia, com maior rapidez e nos níveis mais altos já registrados", afirmou o especialista em pesquisas de opinião Ben Page.

Incerteza

O que impressiona os especialistas é a rapidez como a população foi afetada emocionalmente, ou seja, a maneira rápida como a "crise de crédito" se transformou em uma "crise psicológica".

"Os níveis de incerteza são sem precedentes", avalia o executivo de uma agência de propaganda britânica, Ben Fennell. "Quando você tem os principais bancos falindo, ou correndo risco de falir, você está em uma situação completamente nova."
O especialista em pesquisas de opinião Page culpa, em parte, a imprensa pelo elevado nível de preocupação observado nos britânicos.

"Todo mundo está sendo convencido pela mídia de que existe um problema imenso com a economia, mesmo que sua empresa e seu emprego estejam absolutamente seguros", diz Page.

"Isso altera o comportamento das pessoas e transforma um problema psicológico em um problema real", acrescenta.

Padrões estabelecidos

Especialistas em comportamento humano avaliam que o problema pode piorar, porque crises tendem a seguir padrões estabelecidos.

A população lida bem com o problema nos primeiros três meses, depois, a atmosfera começa a se deteriorar, de acordo com pesquisadores.

"Existe a possibilidade de que a situação esteja pior em março e abril do que estava em setembro", afirma o psicólogo Dai Llewellyn.

As perspectivas não são nada animadoras, mas os especialistas dizem que, se o pior acontece, a maioria das pessoas consegue superar os problemas e dar a volta por cima.

"As pessoas se recuperam e dão a volta por cima muito mais rápido do que caíram", diz Llewellyn.

Segundo o psicólogo, esse pode ser um momento muito positivo na vida de algumas pessoas.

"Em períodos como esses, indivíduos podem ser muito mais positivos, criativos e otimistas", avalia. "E não estou falando de voltar ao normal, estou falando de sobreviver e se superar."

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