Crise, impostos e Iraque dominam debate entre Obama e McCain

Por John Whitesides OXFORD (Reuters) - O candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, e seu rival republicano, John McCain, duelaram sobre gastos do governo, impostos e a guerra do Iraque no primeiro debate presidencial na sexta-feira, e Obama atribuiu a crise em Wall Street às fracassadas políticas republicanas apoiadas por McCain.

Reuters |

Em um debate televisionado de 90 minutos, os dois candidatos diversas vezes discordaram sobre abordagens relacionadas à política econômica e externa, em uma série de respostas afiadas que realçaram as diferenças entre suas posições.

Mas ambos disseram-se otimistas com relação ao plano de resgate de 700 bilhões de dólares para o setor financeiro, mas concordaram que o alto custo do pacote limitaria a agenda presidencial.

McCain disse que congelará gastos federais na maior parte dos programas que não sejam destinados à defesa e à assistência aos veteranos de guerra, e acusou Obama de ser um liberal gastador que não pode unir republicanos e democratas.

"O senador Obama tem o maior registro de votos liberais no Senado", disse McCain. "É difícil falar a todos de uma posição tão à esquerda."

Obama disse que McCain cortaria impostos para os ricos e que diminuiria a taxação sobre as empresas. Ele várias vezes tentou ligar McCain às políticas do presidente George W. Bush.

"Este é o veredicto final para oito anos de política econômica fracassada promovida por George W. Bush e apoiada pelo senador McCain", disse Obama sobre a crise econômica em Wall Street.

Obama, um senador por Illinois, disse que não será capaz de fazer tudo o que quer em seu governo por causa do pacote, mas afirmou que a proposta de McCain de congelar os gastos era como "usar um machadinho quando você precisa de um bisturi".

"Nós finalmente vimos republicanos e democratas sentando-se, negociando juntos e elaborando um pacote", disse McCain.

O debate estava previsto para discutir política externa e segurança nacional, mas os distúrbios em Wall Street têm dominado as discussões na campanha nas últimas duas semanas e foram o primeiro tópico levantado.

As conversas na Casa Branca entre McCain, Obama e líderes congressistas acabaram em desarranjo na quinta-feira, sem acordo sobre o socorro de 700 bilhões de dólares proposto pelo governo Bush.

FORA DE CONTROLE

McCain disse que a restrição aos gastos seria uma parte vital para a recuperação econômica. "A razão, uma das maiores razões de nós estarmos com as dificuldades que temos hoje, é que os gastos estão fora de controle", afirmou.

Obama disse que McCain havia apoiado planos com gastos de Bush e dos republicanos.

"John, foi o seu presidente, com quem você disse que concordava em 90 por cento do tempo, que presidiu esse aumento nos gastos", disse.

Esperava-se para o debate uma audiência bem maior que a dos 40 milhões de americanos que assistiram aos discursos de formalização das candidaturas de Obama e McCain. O evento pode ser decisivo para as eleições de 4 de novembro.

Pesquisas de opinião pública mostram que Obama bate McCain na questão sobre quem seria o melhor a liderar o país em questões econômicas, e a maior parte dos levantamentos mostra que o democrata tem uma pequena e crescente vantagem sobre o republicano nas intenções de voto.

Quando o debate voltou-se à política externa, Obama criticou McCain por apoiar a invasão militar no Iraque. McCain tem sido um dos maiores defensores da guerra.

"A primeira questão é se nós deveríamos ter embarcado nessa guerra", disse Obama, senador por Illinois que desde o início opôs-se à guerra.

McCain disse que a grande pergunta para o próximo presidente será "como nós sairemos e quando nós sairemos" do Iraque. Ele disse que Obama mostrou-se equivocado ao opor-se ao plano que resultou no aumento das tropas no Iraque e que conseguiu reduzir a violência no país.

McCain também atacou Obama por sua disposição de conversar com líderes de nações tidas como hostis, como o Irã, sem pré-condições. Mas Obama alegou que Henry Kissinger, ex-secretário de Estado e um dos conselheiros de McCain em política externa, apóia essa postura.

Os dois candidatos também discordaram sobre o Paquistão. Obama disse que os Estados Unidos devem atacar militantes no Paquistão se Islamabad não demonstrar a disposição de fazê-lo. McCain disse que não apoiaria tal política.

(Reportagem adicional de Steve Holand)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG