Crise humanitária na Somália afeta 2,6 milhões de pessoas, segundo a FAO

Roma, 19 mai (EFE).- A crise humanitária na Somália afeta mais de 2,6 milhões de pessoas e segue piorando, alertou hoje, em comunicado, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

EFE |

A crise se agravou nos últimos meses pela atual alta dos preços dos alimentos, mas também pela desvalorização da moeda local e a seca.

Os dados da FAO indicam que 2,6 milhões de pessoas (35% da população do país) encontram-se em estado de necessidade, o que supõe uma grave aceleração da crise.

Os preços do arroz, do milho e do milho bateram um recorde histórico, duas ou três vezes acima de seu preço médio nos últimos cinco anos.

A Somália é uma importadora líquida de cereais, com cerca de 60% de suas necessidades alimentícias cobertas por cereais importados em um ano normal.

Por esse motivo, o país africano se ressente especialmente pelos preços recordes dos alimentos em nível internacional e pela forte depreciação de sua moeda.

As perspectivas não são boas, além disso, porque a seca faz prever que a colheita principal de cereais ficará abaixo da média.

A falta de água pode afetar também o gado, fazendo com que 60 mil pastores tenham ameaçado seu meio de subsistência, segundo o comunicado da FAO.

"Se as chuvas desta estação são muito menores que a média, continua a depreciação da moeda e a situação de insegurança piora.

Poderemos ver até 3,5 milhões de pessoas -a metade da população- enfrentando uma grave crise alimentícia", advertiu Cindy Holleman, assessora técnica, chefe da FAO na Somália.

No entanto, há muitas oportunidades para a reabilitação e a recuperação, segundo Graham Farmer, responsável pelas operações da FAO na Somália e com base em Nairóbi.

"A situação de segurança apresenta dificuldades e é frustrante, mas não nos deteve", assinala Farmer, acrescentando que as Nações Unidas tem cerca de 1.500 pessoas trabalhando na Somália, das quais a metade se encontra diariamente no terreno.

Para Farmer, é vital levar comida, "mas um importante enfoque complementar é conseguir dinheiro para estas comunidades" e "impulsionar não só a produção, mas também o ingresso e os meios de vida nas áreas rurais e periféricas das cidades".

Esse impulso não é tão difícil de ser alcançado, e pode ser conseguido, segundo Farmer, com a renovação dos canais de irrigação, que aumentam as possibilidades para a produção agrícola e os ativos da comunidade.

Por tudo isso, a FAO lançou uma chamada para conseguir US$ 18 milhões, e pediu que sejam adotadas as "ações necessárias" para garantir que as organizações humanitárias tenham acesso seguro às áreas em crise, já que a situação piora a cada dia. EFE alg/fh/gs

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