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Crise humanitária em Gaza se agrava de hora em hora , diz ONU

A crise humanitária na Faixa de Gaza piora de hora em hora, alertou nesta quinta-feira a Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos (UNRWA), que suspendeu todas as suas atividades humanitárias depois que ataques do Exército israelense atingiram um de seus comboios, deixando dois mortos. Também nesta quinta-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que Israel não está cumprindo sua obrigação de ajudar os civis feridos pelos ataques na Faixa de Gaza.

Redação com agências internacionais |


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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, classificou de "inaceitável" o fato de o organismo não poder distribuir ajuda em Gaza, após o ataque israelense contra o comboio da agência para refugiados.

"A UNRWA se viu forçada a suspender a distribuição de alimentos por não poder garantir a segurança de seu pessoal. É inaceitável que a ONU não possa proporcionar assistência nesta crise humanitária que se está agravando", afirmou a porta-voz Michèle Montas.

Ela assinalou que as informações das agências da ONU indicam que o ataque aconteceu durante a trégua de três horas proclamada pelos israelenses.

Montas afirmou, ainda, que quatro funcionários da UNRWA morreram nestes 13 dias da ofensiva de Israel no território palestino, e ressaltou que as Nações Unidas mantém estreitos contatos com as autoridades israelenses para investigar este e outros incidentes, e para adotar medidas urgentes que evitem sua repetição.

"O secretário-geral faz de novo uma chamada por um cessar-fogo imediato que facilite o acesso humanitário completo e sem restrições (a Gaza), e permita aos voluntários trabalhar com segurança para chegar a todos os que necessitam de ajuda", acrescentou a porta-voz.

Situação dramática

Segundo o porta-voz da UNRWA em Gaza, Christopher Gunnes, cerca de 1,5 milhão de palestinos estão bloqueados no território em condições críticas. Ele afirmou também que os corredores humanitários propostos pelas Forças Armadas israelenses ainda devem ser estabelecidos "corretamente".

Segundo Gunnes, os eixos viários utilizados pelos militares israelenses atrapalham a organização da ajuda, ou a possibilidade, para seus beneficiários, de se deslocar para receber os víveres. Hoje, um milhão de pessoas estão sem luz e 750 mil estão sem água.

"As pessoas já estão nos dizendo que têm fome, e essa insegurança alimentar cresce", completou o porta-voz da agência da ONU, lembrando que alguns lugares da Faixa de Gaza continuam isolados e afastados de qualquer ajuda humanitária.

AFP
Palestinos aproveitam trégua de 3 horas para comprar comida

Elena Mancusi Materi, porta-voz da UNRWA em Genebra, disse que a interrupção diária dos confrontos pelo período de três horas, uma determinação do governo israelense, é insuficiente.

"Do ponto de vista operacional, três horas não fazem nenhuma diferença", declarou a porta-voz. "Temos de distribuir a comida para 750.000 refugiados em Gaza e não podemos fazer isso em três horas", ressaltou.

A situação sanitária também é dramática. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o sistema médico palestino está "à beira do colapso", com hospitais sobrecarregados, pessoal médico esgotado fisicamente dpor trabalhar sem parar há quase duas semanas. Os hospitais estão funcionando graças a geradores, que poderão parar a qualquer momento devido à falta de combustível, acrescentou a OMS.

"Todos os programas de vacinação foram interrompidos em 27 de dezembro", anunciou a OMS, que teme o ressurgimento de doenças normalmente combatidas por essas vacinas, caso os programas não sejam retomados logo.

Cruz Vermelha

Também nesta quinta-feira, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que Israel não está cumprindo sua obrigação de ajudar os civis feridos pelos ataques na Faixa de Gaza.

Segundo a organização, seus funcionários presenciaram cenas "chocantes". Em um incidente, uma equipe médica disse ter encontrado pelo menos 12 corpos em uma casa destruída por bombardeios em Zeitun, ao sul da Cidade de Gaza.

Junto aos cadáveres, de acordo com a Cruz Vermelha, estavam quatro crianças apavoradas, muito fracas para conseguir levantar, sentadas ao lado dos corpo de suas mães.

A Cruz Vermelha afirma que os agentes humanitários foram impedidos de chegar ao local por dias após o bombardeio. "O Exército de Israel deve ter tomado conhecimento da situação, mas não prestou assitência aos feridos", disse chefe de operãções da Cruz Vermelha para Israel e territórios palestinos, Pierre Wettach. "E também não permitiu que nós e as equipes do Crescente Vermelho levassemos auxílio aos feridos", acrescentou.

Mak Regev, um porta-voz do governo israelense, disse não ter conhecimento do incidente citado pela Cruz Vermelha, mas afirmou que Israel apoia o trabalho da entidade em Gaza.

"Não tenho conhecimento, e peço desculpas, sobre os detalhes desse caso específico", afirmou Regev. "O que eu posso dizer é que Israel tem uma relação muito boa com a Cruz Vermelha."

"Nós abrimos canais de comunicação. Se há problemas de coordenação, de logística, ou outras dificuldades, nós podemos solucionar essas questões", disse o porta-voz. "Nós apoiamos o que a Cruz Vermelha está fazendo em Gaza, queremos ajudá-los a fazer seu trabalho."

13º dia de bombardeios


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