LA PAZ (Reuters) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, alertou nesta quinta-feira que a crise política de Honduras, desencadeada por um golpe de Estado, tende a agravar-se e poderá levar o país a uma guerra civil de alcance regional. Líder de posição esquerdista, Chávez revelou durante uma curta visita à Bolívia que o presidente hondurenho, Manuel Zelaya, deposto por um golpe militar em 28 de junho, lhe disse estar decidido a regressar a seu país, mesmo sabendo que sua vida corre perigo.

"Peço a todos que voltemos a atenção para Honduras, porque lá está um povo neste mesmo instante combatendo e (há) um presidente que foi expulso, um presidente, com quem conversei ontem pelo telefone, que me disse: 'Hugo, não sei se vou morrer, mas eu vou a Honduras'", relatou o líder venezuelano.

Chávez advertiu que a situação de Honduras "tende a se complicar, está ficando mais tensa" quase três semanas depois da instauração de um governo presidido por Roberto Micheletti, que ainda não conseguiu consolidar-se no poder e enfrenta uma ampla rejeição internacional.

"Tomara que Deus não queira, mas isso pode terminar em guerra civil, que pode esparramar-se pela América Central, que já foi um vulcão até bem pouco tempo atrás, e as cinzas estão vivas por baixo da terra", afirmou Chávez, em um breve discurso depois do almoço oficial.

Chávez disse que Zelaya lhe falou da possibilidade de entrar em Honduras por alguma das "muitas fronteiras de terra e água" do país.

"'Não vou ficar dando voltas pelo mundo', assim me falou. 'Não vou terminar lamentando, prefiro morrer em território hondurenho'. Acompanhemos Zelaya em sua dignidade, em sua batalha, em sua luta", acrescentou Chávez.

O presidente venezuelano instou os Estados Unidos a deterem o golpe em Honduras, seguindo a linha das palavras do presidente Barack Obama em defesa da democracia.

"Exijamos a quem pode deter isto, que detenha. Falo dos Estados Unidos. Dificilmente alguém pode acreditar que os militares hondurenhos poderiam ter dado um passo sem a luz verde do Pentágono", disse.

"Os Estados Unidos já deveriam ter retirado as tropas que mantêm em Honduras, se é que na verdade as palavras do presidente Obama vão converter-se em fatos", insistiu.

(Reportagem de Carlos A. Quiroga)

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