Crise hondurenha: entre o otimismo de Micheletti e a resistência irredutível

Tegucigalpa, 14 ago (EFE).- O Governo de Roberto Micheletti se mostrou hoje otimista com o diálogo que teve com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, sobre a crise de Honduras após o golpe de Estado, enquanto os seguidores do deposto presidente Manuel Zelaya afirmam que sua luta para restituí-lo continua em ascensão.

EFE |

Três enviados de Micheletti que se reuniram nesta quinta-feira em Washington com o secretário-geral da OEA destacaram em declarações a jornalistas a "abertura" deste para conhecer a posição do Governo que comanda o país desde a derrocada de Zelaya, em 28 de junho.

Um dos membros da comissão, Arturo Corrales, disse que o diálogo foi tão frutífero que está "na parte fluente que nos vai levar a acordos", dentro da proposta do presidente da Costa Rica, Óscar Arias, mediador no conflito.

"Consideramos muito positiva a reunião sustentada com o secretário-geral", declarou outra delegada de Micheletti, Vilma Morales.

O terceiro representante, Mauricio Villeda, também destacou a "abertura" de Insulza e reafirmou que os membros da comissão retornaram "cheios de otimismo".

Villeda explicou que na reunião com Insulza foram analisados "perfeitamente os fatos ocorridos antes, durante e depois do dia 28 de junho", quando os militares detiveram e expulsaram Zelaya do país, e o Parlamento designou Micheletti como seu sucessor.

O Governo de fato diz que Zelaya não sofreu um golpe de Estado, mas os militares atuaram por um mandato judicial contra ele por tentar realizar uma consulta para promover uma Assembleia Constituinte, e que houve uma "substituição constitucional".

Além disso, o Governo de Micheletti considera que Insulza foi parcial no relatório que elaborou após visitar o país no dia 3 de julho e que apresentou perante a Assembleia Geral da OEA, que no dia 4 suspendeu Honduras como membro do organismo por não recolocar Zelaya no poder.

As expressões da comissão de diálogo contrastam com as do próprio Micheletti, quem na quinta-feira reiterou que Insulza "não é bem-vindo" a Honduras.

O Governo de fato decidiu no domingo adiar uma visita que uma missão da OEA devia fazer por ter o secretário-geral entre seus integrantes, embora finalmente o tenha aceitado na qualidade de observador.

Para a próxima semana está prevista uma visita de uma delegação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) a Honduras.

Enquanto isso, o dirigente popular Juan Barahona, um dos coordenadores da resistência a favor do presidente deposto, disse à Agência Efe que a luta dos seguidores de Zelaya "continua em ascensão", e eles não descansarão até que este "retorne à Presidência e os golpistas saiam do poder".

O movimento de apoio a Zelaya completa hoje 47 dias de protestos exigindo sua restituição.

Barahona reiterou que continua a luta pelo retorno ao poder de Zelaya, o restabelecimento da ordem constitucional e a instalação de uma Assembleia Constituinte.

"Por isso estamos na rua, a resistência continua em ascensão, somos mais os que estamos nas ruas de diferentes cidades do país", expressou Barahona, durante uma nova manifestação realizada hoje em Tegucigalpa, que se desenvolveu de forma pacífica.

O dirigente também acusou a Polícia de "continuar reprimindo as manifestações" dos seguidores de Zelaya.

Outra manifestação foi dissolvida hoje com gás lacrimogêneo por policiais e militares quando bloqueava uma estrada perto de Choloma, a cerca de dez quilômetros de San Pedro Sula (norte), a segunda maior cidade de Honduras.

Pelo menos cinco pessoas foram detidas no incidente, segundo meios locais de imprensa.

A estrada que tinha sido bloqueada leva a Puerto Cortés, onde funciona a instalação portuária mais importante de Honduras.

Em um incidente que, a princípio, a Polícia não vincula diretamente com a crise política, quatro desconhecidos incendiaram hoje um caminhão do jornal "La Tribuna", de Tegucigalpa, em uma estrada do departamento (estado) de Olancho. EFE lam-gr/ma

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