Crise grega empurra UE para maior coordenação econômica

José Manuel Sanz. Bruxelas, 11 fev (EFE).- A crítica situação das finanças públicas da Grécia, cujo Governo recebeu hoje o apoio - sob rigorosas condições - de seus parceiros da zona do euro, vai empurrar a União Europeia (UE) para uma maior coordenação de suas políticas econômicas.

EFE |

A maioria dos governantes europeus concordou com esta análise após a cúpula informal realizada hoje em Bruxelas e na qual também refletiram sobre as razões do rápido declive da economia europeia e as reformas necessárias para recuperá-la.

"O ocorrido (na zona do euro) demonstra a necessidade de uma maior coordenação macroeconômica" ao mais alto nível, resumiu o presidente permanente da UE, o belga Herman Van Rompuy.

Os outros dois mediadores do acordo sobre a Grécia, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, destacaram em um comparecimento conjunto à imprensa a boa recepção de seus colegas à ideia de iniciar um verdadeiro Governo econômico entre os 27 membros da UE.

Até pouco tempo atrás, Paris e Berlim não concordavam com o alcance desse "Governo econômico", sobre o qual a Alemanha sempre teve receio, se fosse concebido como um contrapeso político na zona do euro para o Banco Central Europeu (BCE).

"Não ouvi nenhum país falar contra o Governo econômico europeu que propusemos junto com a chanceler", assegurou Sarkozy na presença de Merkel.

Van Rompuy assegurou que os 27 países do UE se comprometeram hoje a assumir as rédeas das reformas econômicas a médio e longo prazo (2010-2020) a fim de evitar o fracasso das anteriores.

O presidente permanente do bloco europeu chegou a sugerir reuniões mensais do Conselho Europeu, a máxima instância política da União.

A crise da zona do euro, da qual fazem parte 16 dos 27 Estados da UE, dominou os debates entre os líderes. Outros assuntos, como as negociações sobre a mudança climática, sequer chegaram a ser discutidos.

O dia foi marcado pelo apoio político dos líderes da zona do euro ao Governo do primeiro-ministro grego, George Papandreu, em seu desafio para sanear as finanças públicas do país.

As especulações que precederam a reunião e que giraram em torno de um suposto plano concreto de resgate financeiro para a Grécia se traduziram finalmente em uma simples declaração política de apoio, o que não tranquilizou os mercados.

O encarregado de ler a declaração diante das câmeras foi Van Rompuy, após uma série de encontros com a chanceler alemã, o presidente francês, o primeiro-ministro grego e os dirigentes dos principais órgãos reitores da união monetária.

O texto não deixa de representar uma repreensão à Grécia, mas é também a primeira declaração pública em que Alemanha e França, especialmente, assumem tacitamente a responsabilidade em último caso pela estabilidade financeira da zona do euro.

"Os membros da zona do euro tomarão medidas decididas e coordenadas, caso necessário, para garantir a estabilidade financeira na zona em seu conjunto", afirma a declaração.

Não se diz que tipo de medidas podem ser adotadas, apenas que os ministros de Finanças dos países do euro continuarão trabalhando na questão.

O tratado proíbe expressamente as instituições europeias de financiar diretamente o endividamento de um membro da zona do euro.

O texto deixa claro que "o Governo grego não solicitou nenhum apoio financeiro" a seus parceiros.

O presidente do Eurogrupo (fórum informal do qual participam os ministros das Finanças da zona do euro), o luxemburguês Jean-Claude Juncker, confirmou que "a Grécia não está isolada frente aos ataques dos quais possa ser alvo".

Os países usuários do euro não definiram os detalhes desse "instrumento coordenado" de apoio à Grécia, que teria início caso Atenas não tenha acesso a um financiamento de mercado, mas Juncker sugeriu a via da ajuda bilateral.

"Se chegarmos à conclusão de que as ajudas bilaterais devem constituir o essencial das ajudas dos Estados-membros, estas ajudas bilaterais deverão ser coordenadas, fixando entre todos as quantias que cada um deverá fornecer", explicou Juncker.

O primeiro-ministro grego, George Papandreu, se comprometeu a tomar "todas as medidas" para sanear as contas do país e erradicar a corrupção e a evasão fiscal.

Em 2009, a Grécia teve déficit de 12,7% do Produto Interno Bruto (PIB). A dívida pública passou de 120% do PIB. EFE jms-bxl/bba

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