David Valenzuela. Nova York, 1º ago (EFE).- Os americanos parecem decididos a passar os tempos de crise econômica acompanhados, como demonstra o aumento no número de usuários dos chats on-line registrado desde o início de 2009.

É o caso do eHarmony, um dos "cupidos digitais" mais conhecidos dos Estados Unidos e cujos responsáveis explicaram à Agência Efe que entre janeiro e maio de 2009 detectaram um aumento de quase 20% no número de pessoas registradas.

"Já percebemos o mesmo aumento quando em setembro eclodiu a crise creditícia e a queda na bolsa. Os relacionamentos próximos ajudam as pessoas a lidarem com o estresse e o medo de perder a casa ou o emprego", disse o médico Gian Gonzaga, um dos pesquisadores que trabalham para o eHarmony.

Segundo Gonzaga, muitos solteiros colocaram entre suas prioridades encontrar um relacionamento duradouro, já que "no momento são muitos os benefícios emocionais e físicos que, como com uma dieta saudável ou exercícios, são conseguidos com uma relação sólida".

Os responsáveis pelo eHarmony realizaram uma pesquisa no começo do ano em que se surpreenderam ao descobrir que 25% das mulheres e 19% dos homens reconheciam que, perante a preocupação sobre a situação econômica, se interessavam mais em buscar uma relação longa.

Com esses resultados, também concordam os diretores do Plentyoffish, outra página similar, e do popular Match, que asseguram que há muito mais pessoas que, perante a crise, sentem "uma necessidade sentimental".

"Em tempos difíceis, é reconfortante ter alguém para amar e ser amado, e, sobretudo, que te apoie sentimentalmente diante de situações que antes não tinha enfrentado", disse à Efe Mark Brooks, um dos porta-vozes do Plentyoffish.

Além de buscar o apoio emocional de um parceiro, há os que também se deram conta de que compartilhar uma vida tem seus benefícios, como dividir contas.

"Sempre poderá haver razões muito mais práticas", assegurou Gonzaga, que explicou que o fato de encontrar um parceiro e contar assim "com várias fontes de renda pode diminuir o impacto da crise financeira que muitos enfrentam".

Misturar economia e amor pode parecer frívolo, mas o certo é que vários desses serviços detectaram que a frequencia de visitantes aumenta em suas paginas quando há queda nas bolsas de Wall Street.

"Quando o Dow Jones Industrial cai mais de 100 pontos, nossos visitantes aumentam 2%, uma tendência que se manteve até em meses regularmente baixos, como novembro", disse Gonzaga.

O site Plentyoffish diz que uma das razões para a tendência é que "a triste realidade do trabalho" que desempregados recentes enfrentam se traduz em uma maior disponibilidade de tempo para si mesmos. É justamente nesses momentos, que a solidão se torna mais evidente e afeta mais as pessoas.

"Antes talvez não tinham muito tempo para eles mesmos porque há pessoas cujas carreiras foram muito absorventes; mas agora estão no desemprego e podem se dedicar a encontrar um amor", reconheceu Brooks.

O que parece certo é que são muitos os que recorrem a serviços do tipo, que ultimamente é o sistema "mais rápido e eficiente economicamente" para encontrar um namorado, como dizem as propagandas dos portais.

O preço, que ronda entre US$ 20 e US$ 60 por mês, parece sair mais em conta que passar uma noite em um bar e tentando conhecer alguém com quem as possibilidades de iniciar uma relação podem ser pequenas. EFE dvg/rr

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