Crise global deve dominar agenda da Cúpula Ibero-Americana

Eduardo Davis. San Salvador, 28 out (EFE).- A 18ª Cúpula Ibero-Americana, que será inaugurada amanhã em San Salvador, proporá a adoção de uma agenda voltada para a juventude, debatida hoje por coordenadores, embora vá dedicar boa parte de seu tempo à análise da crise global.

EFE |

A cúpula dos chefes de Estado e Governo de América Latina, Espanha, Portugal e Andorra tem como assuntos centrais este ano a juventude e o desenvolvimento, mas as dimensões da atual crise financeira prometem impor uma dinâmica distinta ao debate.

Os coordenadores dos 22 países da comunidade ibero-americana discutiram hoje em San Salvador os documentos que deverão ser assinados na próxima sexta-feira pelos líderes, alguns dos quais anteciparam já seu interesse em debater sobre a tempestade que se abate sobre o sistema financeiro internacional.

O presidente colombiano, Álvaro Uribe, declarou hoje em Bogotá que "é preciso estar nessa cúpula", pois "em um momento muito difícil da economia é necessário escutar o que se está pensando" e, além disso, expor sua visão da crise.

Em Brasília, o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, antecipou que a intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é insistir na adoção de "mecanismos e controles que impeçam novas crises e que a especulação afete à economia real".

A opinião foi compartilhada pela Espanha, representada pelo rei Juan Carlos e pelo presidente do Governo, José Luis Rodríguez Zapatero, que também expressou seu desejo de que a cúpula tenha uma voz arrumada perante a crise financeira internacional.

Os chanceleres, que começaram a chegar hoje à capital salvadorenha, terão amanhã sua primeira reunião de trabalho, na qual analisarão os documentos preparados hoje pelos coordenadores, focalizados nos assuntos centrais da cúpula.

À tradicional declaração geral, centrada desta vez na necessidade de adotar uma "agenda positiva" para a juventude, serão anexados comunicados sobre a luta contra o terrorismo, o bloqueio econômico a Cuba e a cooperação com os países de renda média.

Além disso, haverá comunicados de apoio ao processo de diálogo na Bolívia, sobre colaboração com os países afetados por recentes desastres naturais e sobre integração cultural.

Na reunião de coordenadores se propôs, além disso, um comunicado sobre "atendimento à primeira infância", que gerou polêmica por um pedido de apoio específico à Fundação Asas, que tem entre seus membros a cantora colombiana Shakira, que apresentará seu projeto na capital salvadorenha.

Alguns países, entre eles Argentina e Venezuela, se opuseram a que seja citada uma fundação de apoio à infância de caráter privado como a Asas e se decidiu criar um grupo de trabalho a fim de tentar uma nova redação do comunicado.

O país anfitrião também propôs outro documento relativo às modalidades de participação na conferência ibero-americana, que contempla a possibilidade de convidar países alheios à comunidade e a organismos internacionais com a categoria de "observador associado".

A chegada dos chefes de Estado e de Governo a San Salvador está prevista para amanhã, quando a cúpula será inaugurada no Anfiteatro do Centro Internacional de Convenções.

Os únicos presidentes que anunciaram que não vão são o venezuelano, Hugo Chávez, o uruguaio, Tabaré Vázquez, e o cubano, Raúl Castro.

Após a inauguração oficial, que acontecerá amanhã às 18h (9h de Brasília), o presidente salvadorenho, Elías Antonio Saca, receberá aos líderes na Casa Presidencial para um jantar de gala.

Na quinta-feira, acontecerá a primeira reunião plenária e também haverá um encontro privado, com a presença só dos chefes de Governo, na qual se prevê que seja analisada a fundo a crise dos mercados financeiros globais.

A cúpula terminará na sexta-feira, após a segunda sessão plenária e uma coletiva de imprensa da presidente chilena, Michelle Bachelet, organizadora da reunião anterior, o anfitrião Elías Antonio Saca, e o primeiro-ministro português, José Sócrates, cujo país acolherá o encontro ibero-americano de 2009. EFE ed/vai

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