Crise georgiana: Kiev oferece seus radares e ameaça a frota russa

A Ucrânia, que deseja como a Geórgia integrar a Otan e que não hesitou em falar contra a intervenção russa no país, propôs ao Ocidente seus radares de defesa antimísseis e ameaçou expulsar a frota russa da base alugada por Moscou em Sebastopol, na Criméia.

AFP |

O governo de Kiev se declarou neste sábado pronto a colocar à disposição dos países europeus ou de outros países estrangeiros seus radares antimísseis explorados até pouco tempo atrás juntamente com a Rússia.

Após o cancelamento este ano dos acordos com a Rússia sobre a utilização comum destes radares das bases de Mukatchevo (oeste da Ucrânia) e de Sebastopol (Criméia, sul), a Ucrânia tem a "possibilidade de estabelecer uma cooperação ativa com os países europeus, assim como com Estados estrangeiros interessados em informações especiais", indicou o ministério ucraniano dos Assuntos estrangeiros.

Kiev fez esta proposta dois dias após a conclusão, precipitada pelo conflito russo-georgiano, de um acordo entre Washington e Varsóvia sobre a instalação na Polônia de elementos do escudo antimísseis americano.

"Esta declaração de Kiev é diretamente ligada à intervenção das forças russas na Geórgia", indicou o cientista político Vladimir Sessenko, diretor do Centro ucraniano de pesquisas políticas Penta.

"Diante deste conflito armado, a Ucrânia deseja aderir a um sistema de segurança apoiado pelo Ocidente", explicou.

Para a especialista ucraniana Alexia Bassarab, especializada em questões de segurança, a Ucrânia está procurando uma proteção ocidental após a "reação dura" de Moscou à decisão de Kiev de restringir os movimentos da frota russa do Mar Negro, engajada no conflito russo-georgiano.

Quarta-feira, a presidência ucraniana emitiu um decreto dizendo que os navios de guerra e a aviação russa devem avisar os militares ucranianos pelo menos 72 horas antes e obter o acordo de Kiev para deixar Sebastopol e para retornar também.

Moscou considerou esta decisão "de grave medida anti-russa".

Para inúmeros especialistas, ao propor seus radares aos países estrangeiros, a Ucrânia quer antes de mais nada acelerar o lançamento de seu processo de admissão na Otan, desejado pelos EUA mas considerado até agora prematuro principalmente pela Alemanha e a França, preocupadas em não contrariar a Rússia.

"A Ucrânia está se aproveitando do conflito russo-georgiano para forçar sua entrada na Aliança Atlântica", afirmou Andreï Ermolaev, diretor do Centro de pesquisas políticas Sofia em Kiev.

"Neste sentido, pode propor à Otan não apenas seus radares, mas até a bacia do porto de Sebastopol", acrescentou o especialista.

bur-ml/lm

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