Crise financeira pode marcar o retorno do FMI à América Latina

O fantasma da recessão no mundo industrializado que afetaria a América Latina - através da queda dos preços das matérias-primas, da redução dos ingressos fiscais, da queda das remessas e do turismo ou Dos problemas de crédito -, pode significar também a volta do Fundo Monetário Internacional (FMI) à cena regional.

AFP |

O tema está em discussão na XVIII Cúpula Ibero-Americana em San Salvador, da qual participam 19 chefes de Estado e do Governo de 22 países ibero-americanos, entre esta quarta-feira e até sexta-feira, 31 de outubro; alguns presidentes anteciparam que estão dispostos a propor uma participação mais ativa dos organismos multilaterais, particularmente do FMI, na solução de seus problemas.

A agenda formal da Cúpula, em torno da "Juventude e desenvolvimento", está dominada pela gravidade da situação econômica mundial e os esforços que vêm sendo feitos para evitar um contágio das economias latino-americanas.

A presidente chilena, Michelle Bachelet, propôs que o tema seja abordado de forma direta na reunião que os chefes de Estado pretendem realizar a portas fechadas durante a Cúpula, na tarde de amanhã, quinta-feira.

"Os mercados financeiros estão praticamente fechados para os países emergentes e cedo ou tarde as empresas e os governos terão de examinar esta alternativa", antecipou Ricardo Hausman, professor de economia em Harvard.

Por outro lado, o presidente espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, e o atual secretário da Comunidade Ibero-Americana, o uruguaio Enrique Iglesias, acreditam que o relançamento do papel dos organismos financeiros multilaterais é necessário para enfrentar a crise.

Rodríguez Zapatero vem defendendo a idéia de que o FMI se responsabilize por uma estratégia de "estender e promover uma regulamentação geral da supervisão do sistema financeiro mundial, para enfrentar a tempestade".

Muitos empresários reconhecem que estão analisando todas as alternativas para enfrentar as dificuldades financeiras mundiais, inclusive recorrer ao banco multilateral, que nos últimos meses já liberou algumas verbas diretamente a empresas da região.

"Todos os aspectos da crise têm que ser pesados com cuidado", disse, ao chegar em San Salvador o ex-ministro da economia colombiano, Luis Fernando Alarcón, agora presidente da Interconexión Eléctrica SA (ISA), a maior comercializadora de energia da América do Sul.

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