Crise financeira ofusca reunião da ONU contra a pobreza

Por Lesley Wroughton NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Governantes, dirigentes do setor privado e ONGs se reúnem nesta semana para avaliar o combate global contra a pobreza, cujos progressos estão sendo ameaçados pela atual crise financeira e pelo encarecimento dos alimentos.

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O encontro em Nova York marca a metade do prazo para o cumprimento das Metas do Desenvolvimento do Milênio, adotadas em 2000. A principal dessas metas é reduzir a fome pela metade até 2015.

Esse compromisso internacional será o principal tema do pronunciamento do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, aos líderes dos 192 países-membros reunidos na Assembléia Geral, que começa na segunda-feira.

Na quinta-feira, Ban preside uma reunião que vai avaliar os progressos gerais no cumprimento das Metas do Milênio.

'É totalmente inaceitável que em 2008, quando temos conhecimento e recursos para eliminar a pobreza da face do globo, tantas crianças ainda morram de doenças evitáveis e milhões percam a chance de ir à escola', disse o premiê britânico, Gordon Brown, por meio de um porta-voz.

De acordo com Brown, a reunião em Nova York deveria marcar 'o início de uma coalizão de forças única -- governo[s], setor privado, ONG[s] e fé'.

Neste ano há grande empenho do setor privado, inclusive instituições filantrópicas, para com as metas, o que deve se refletir na doação de bilhões de dólares para combate à malária, educação e projetos de saúde e alimentação.

Paralelamente aos debates da ONU, mais de 130 executivos e mais de 50 atuais e ex-chefes de Estado, junto com outras celebridades, vão participar da reunião da Iniciativa Global Clinton, promovida pelo ex-presidente norte-americano Bill Clinton.

Nesta nova coalizão de forças contra a pobreza, o analfabetismo e as doenças, novos credores e doadores, como China, Índia, Brasil e países árabes, estão ganhando importância.

Mas há temores de que os progressos alcançados se percam devido à crise no mercado financeiro global, especialmente se grandes doadores, como os EUA, recuarem de promessas já feitas a países pobres que enfrentam dificuldades com os custos da energia e dos alimentos.

O Banco Mundial alerta que 100 milhões de pessoas podem cair na miséria se não houver uma reação global contra o custo dos combustíveis e da comida.

Quando as Metas do Milênio foram lançadas, o barril do petróleo custava cerca de 10 dólares; agora, está a mais de 100.

'Os líderes precisam não apenas reiterar promessas vazias, com os dedos cruzados por trás das costas', disse Alison Woodhead, porta-voz da ONG britânica Oxfam.

'Trata-se de uma emergência contra a pobreza que exige exatamente a mesma atenção e reação que a crise financeira que está nas manchetes.'

Segundo ela, seriam necessários 150 bilhões de dólares adicionais até 2010 para cumprir todas as metas.

Um recente relatório da ONU apontou avanços sólidos e sustentados na redução da miséria mundial, mas novas estimativas do Banco Mundial mostram que há mais pobres nos países em desenvolvimento (1,4 bilhão) do que a estimativa anterior.

Tal cálculo confirma que entre 1990 e 2005 o número de miseráveis caiu em mais de 400 milhões, e que a meta de reduzir a pobreza em 50 por cento até 2015 (em relação a 1990) deve ser atingida.

Mas o Banco Mundial alerta que, enquanto países em franco desenvolvimento, como a China, conseguiram reduzir a pobreza, o avanço foi menos notável na África.

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