Crise financeira não pode atrapalhar luta contra a Aids, diz ONU

KHAYELITSHA, África do Sul (Reuters) - Os líderes mundiais não devem deixar a crise financeira global distraí-los da responsabilidade moral de combater o HIV/Aids, disse na terça-feira a principal autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Aids. Especialistas em saúde pública e autoridades governamentais temem que a escassez de crédito global leve os países ricos a cortar os gastos em assistência à saúde para o mundo em desenvolvimento, atrapalhando os planos da ONU para conter a disseminação do HIV até 2015.

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"O mundo tem a responsabilidade política de estabilizar o fracasso do mercado", disse Michel Sidibe, diretor-executivo da Unaids, a agência da ONU encarregada de lidar com a pandemia.

"Mas o mesmo mundo tem a responsabilidade moral e social de garantir que os 4 milhões de pessoas que estão em tratamento (contra o HIV) continuem a ter o tratamento, que outros 6 milhões tenham acesso ao tratamento", disse ele à platéia de uma clínica de Khayelitsha, município nas redondezas da Cidade do Cabo.

A África subsaariana está no epicentro da pandemia global de Aids, e a África do Sul registra uma das piores taxas de infecção do mundo. Cerca de 1.000 pessoas morrem todos os dias no país em decorrência de doenças relacionadas à Aids.

Sidibe disse que garantir acesso universal ao tratamento do HIV até 2010 -- meta estabelecida por 111 países -- é possível e afirmou que os 25 bilhões de dólares estimados pela Unaids como necessários para financiar esse objetivo não são "nada".

Ele quer que a Unaids se comprometa de forma mais próxima com as comunidades e com a proteção de grupos marginalizados, como usuários de droga e profissionais do sexo.

"Quero garantir que a Unaids torne-se de fato uma voz para os sem-voz", disse ele.

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