Crise financeira marca congresso do Partido Conservador britânico

Londres, 28 set (EFE).- Com as pesquisas de opinião a seu favor, o Partido Conservador britânico, principal legenda da oposição, começou em Birmingham, no centro da Inglaterra, seu congresso anual, inevitavelmente centrado na crise financeira internacional.

EFE |

Apesar do crescimento conseguido nos últimos dias pelo Partido Trabalhista, do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, nas pesquisas sobre intenções de voto, o líder tory, David Cameron, mantém uma cômoda diferença frente ao partido da situação.

Uma consulta feita pela empresa "BPIX" publicada hoje no jornal "The Sunday Telegraph" aponta 43% de apoio aos tories, queda de 4 pontos percentuais frente à pesquisa de agosto, enquanto os trabalhistas subiram sete pontos percentuais, para 31%.

O Partido Liberal-Democrata, terceira maior legenda do Reino Unido, subiu um ponto e ficou com 17%, segundo a "BPIX", que ouviu 2.020 eleitores entre 24 e 26 de setembro.

Com a crise financeira global como pano de fundo, os conservadores começaram seu congresso com a notícia da nacionalização do banco britânico Bradford & Bingley (B&B), que evidencia o alcance da crise do setor bancário.

Cameron acusou hoje os trabalhistas de "fracasso" quanto à regulação do setor financeiro e de perder tempo em vez de reformar o sistema.

"Acho que tivemos um fracasso de regulação e chegamos a um pico de dívida que durou tempo demais e chegou a áreas da economia aonde não deveria chegar", destacou o líder tory em entrevista hoje ao programa de televisão "The Andrew Marr Show", da "BBC".

No entanto, Cameron deixou claro que o mais importante neste momento é proteger as economias dos clientes do B&B, enquanto prometeu que seu partido atuará de maneira "responsável" e ajudará o Governo a enfrentar a crise financeira.

Cameron disse que a nacionalização do B&B, como a do Northern Rock em fevereiro, deixou o contribuinte britânico em uma situação de "risco", pois é ele quem vai pagar no final.

Segundo Cameron, os conservadores se ofereceram para colaborar com Brown e o ministro das Finanças britânico, Alistair Darling, para regular o sistema financeiro e proteger os poupadores, mas frisou que o Governo não trabalhou o suficiente sobre o assunto.

"O que é que essa gente ficou fazendo durante um ano?", questionou Cameron.

"Os contribuintes enfrentam momentos difíceis. Não quero que nós peçamos que o contribuinte arque com cada conta por cada decisão bancária ruim de cada instituição financeira. Isso não é certo", destacou.

Cameron também chamou Brown de primeiro-ministro "derrotado" que se viu obrigado a utilizar o congresso anual do Partido Trabalhista na semana passada para dissipar as divisões internas ao invés de se concentrar na crise econômica que afeta o Reino Unido.

Durante o congresso - que termina na quarta-feira com o discurso de Cameron, o líder tory quer apresentar seu partido como uma legenda forte, unida e como alternativa frente ao Governo trabalhista que "fracassou".

Para o ex-porta-voz conservador britânico para assuntos internos, David Davies, o importante neste momento é retomar a estabilidade econômica e enfrentar a crise global no próximo ano.

"O problema que vamos enfrentar nos próximos 18 meses é como iremos proteger os empregos das pessoas e como manteremos o custo de vida baixo, como as pessoas ficarão com suas casas e protegeremos suas economias e vamos assegurar que a economia não entre em uma longa recessão", ressaltou Davis.

Levando em conta que as eleições gerais britânicas estão previstas para 2010, Davis disse que um Governo conservador, se vencer nas urnas, terá que resolver uma situação "desastrosa".

"Se a economia seguir como agora, depois que o primeiro-ministro falou de 'momentos de irresponsabilidade' (dos banqueiros), temo que teremos muitas coisas para resolver", disse. EFE vg/wr/rr

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