Crise financeira devolve confiança e credibilidade a Brown

Judith Mora. Londres, 20 dez (EFE).- A crise financeira internacional ofereceu ao primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, uma provisão de oxigênio que lhe permitiu recuperar a confiança e a credibilidade após meses de queda nas pesquisas de avaliação de seu mandato.

EFE |

Seu plano de resgate do sistema financeiro, baseado em uma recapitalização dos bancos apoiada pela garantia da dívida, foi adotado pela União Européia (UE) e, mesmo que com má vontade, pelos Estados Unidos, que renunciaram a seu objetivo de evitar a qualquer custo as nacionalizações.

As medidas keynesianas (de acordo com as idéias do economista inglês John Maynard Keynes) que Brown promulgou lhe renderam os elogios do prêmio Nobel de Economia deste ano, Paul Krugman, que destacou a combinação de "lucidez e decisão" permitindo ao primeiro-ministro se reerguer com a imagem de salvador não só da economia britânica, mas da de todo o mundo.

Sua liderança na reunião do G20 (grupo dos países mais ricos e dos em desenvolvimento), novembro, em Washington, onde pediu atuações coordenadas para reduzir os impostos e os juros bancários, garantiu sua reputação de gerente econômico, que ele construiu em seus dez anos como ministro do Tesouro britânico.

Com Brown, tudo se reduz à economia. Quando Barack Obama venceu as eleições americanas, o primeiro-ministro britânico declarou que os dois compartilhavam de valores, não em política externa ou social, mas "na determinação de demonstrar que o Governo pode atuar para ajudar as pessoas nos tempos difíceis que a economia global enfrenta".

Perseverante, prudente e obsessivo com detalhes, o chefe do Executivo britânico tem fama de viver aborrecido - embora aqueles que o conhecem o consideram uma pessoa bem-humorada -, personalidade que inclusive o favorece quando se trata de lidar com crises.

Se antes Brown era considerado vacilante e inclusive covarde, devido aos passos em falso que deu durante os primeiros meses de seu mandato, agora se atribui a ele uma pragmática sobriedade que contrasta com as tentativas de sedução midiática do líder da oposição, o conservador David Cameron.

Precisamente, o crescimento de Brown nas pesquisas começou em setembro quando, no congresso de sua legenda, o Partido Trabalhista, ele advertiu que, em plena crise econômica, não era momento para "novatos" - nem para Cameron nem para seu correligionário David Miliband, o favorito dos rebeldes que dias antes tentaram forçar sua renúncia.

A recuperação de Brown, apesar da pequena vantagem que os "Tories" ainda mantêm, se consolidou em novembro com a vitória na eleição parcial da cidade escocesa de Glenrothes, que freou o declínio eleitoral iniciado nos pleitos municipais de maio, quando os trabalhistas perderam até em Londres.

Os deputados em Westminster - palácio onde fica a sede do Parlamento britânico - voltam agora a falar em eleições e especulam sobre a possibilidade de Brown aproveitar sua renovada popularidade para convocar um pleito antecipado, antes da data limite de junho de 2010.

Embora essa opção ainda pareça pouco provável, o primeiro-ministro volta a ser considerado um ativo eleitoral para o Partido Trabalhista.

Se a recessão econômica não o engolir, Brown - nomeado sucessor de Tony Blair em junho de 2007 - tem a opção de permanecer no cargo.

Mas, se perder as próximas eleições, pelo menos teria a tranqüilidade de poder entrar para a história como o primeiro-ministro hábil e decidido que tirou o país da crise. EFE jm/ab/jp

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