Crise fez surgir novas formas de jornalismo, diz acadêmico

LONDRES - A crise econômica fez surgir novas formas de jornalismo que, se não estão em condições de substituir a imprensa tradicional, por outro lado prestam um grande serviço à democracia.

Redação com Agência EFE |

Foi o que disse à Agência EFE Michael Schudson, professor da faculdade de jornalismo da Universidade de Columbia (EUA), que acaba de chegar a Londres para preparar, junto com o ex-diretor do "Washington Post" Leonard Downie, um relatório com recomendações relacionadas ao futuro da imprensa.

"Queremos entrevistar os diretores do jornal 'The Guardian' e da 'BBC', porque temos interesse tanto na fundação sem fins lucrativos que é dona daquele jornal como no caráter público da emissora", disse Schudon, autor de uma coleção de ensaios sobre jornalismo intitulada "Why democracies need um unlovable press" ("Porque democracias precisam de uma imprensa implacável", em tradução livre).

"Nos últimos anos, surgiram nos Estados Unidos várias organizações sem fins lucrativos integradas por um número muito reduzido de repórteres, muitos deles saídos da imprensa tradicional e que se dedicam ao jornalismo investigativo".

Em entrevista à Efe, o professor americano citou especificamente o caso da ProPublica , com sede em Manhattan e dirigida por Paul Steiger, ex-editor do "Wall Street Journal", e Stephen Engelberg, ex-editor do "New York Times".

Fundada em 2007, a produtora de conteúdo surgiu como resposta à crise e à consequente falta de recursos para o jornalismo investigativo. "O objetivo (da ProPublica) é produzir por ano 30 ou 40 reportagens muito bem apuradas", destacou Schudson.

Há outros veículos, como o " The Voice of San Diego ", da Califórnia, que investigam temas de interesse local, como as escolas, o governo municipal, o meio ambiente e o setor imobiliário.

Geralmente, essas publicações são financiadas por empresários filantropos e fundações beneficentes como a Knight Foundation.

O " Chi-Town Daily News ", de Chicago, segue o modelo que nos Estados Unidos ficou conhecido como "pro-am", integrado tanto por profissionais como por voluntários amadores.

"É verdade que nenhuma dessas organizações vai conseguir abrir um escritório no Iraque ou no Afeganistão, mas desempenham um papel crucial numa democracia" ao fiscalizarem o governo local, disse o acadêmico.

Ao mesmo tempo, a crise econômica que a imprensa tradicional enfrenta é tão grande que está obrigando muitos jornais a fecharem suas sucursais em Washington. Agora, muitos desses veículos dependem de agências e de outras grandes publicações, como o "New York Times" e "Los Angeles Times", para noticiar fatos de relevância nacional.

No que diz respeito ao noticiário internacional, houve nos EUA um fenômeno muito interessante. Graças à internet, cada vez mais americanos acompanham os fatos do mundo por veículos estrangeiros, sobretudo pela "BBC".

Schudson também diz não ter muita esperança no futuro econômico da imprensa tradicional. Ele apontou como sinal significativo das mudanças em curso o fato de a agência internacional "AP" ter anunciado no fim de semana a implementação de um mecanismo para proteger seu conteúdo da pirataria na internet.

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