Crise fará PIB perder até R$ 138 bilhões em 2009

A economia brasileira deverá fechar este ano até R$ 138 bilhões menor do que era previsto pelo mercado antes da crise. Esse cálculo, feito por economistas a pedido da BBC Brasil, tem como base as previsões de analistas de mercado contidas no boletim Focus desta semana e no de 12 de setembro de 2008, o último antes do agravamento da crise mundial.

BBC Brasil |

Naquele relatório Focus, divulgado três dias antes da quebra do banco americano Lehman Brothers, os analistas consultados pelo Banco Central previam para 2009 crescimento de 3,6% e inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 4,99%.

O economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, calculou que, se essas previsões tivessem sido mantidas, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro teria passado dos R$ 2,889 trilhões de 2008 (conforme dados do IBGE) para R$ 3,143 trilhões em 2009.

No entanto, pelo cálculo de Borges, se forem confirmadas as projeções do boletim Focus divulgado na última terça-feira, de contração de 0,16% e IPCA de 4,30%, o PIB de 2009 será de R$ 3,005 trilhões.

Custo per capita

De acordo com o economista-chefe da LCA, se essa perda de R$ 138 bilhões for dividida pela população do Brasil (191,7 milhões de pessoas), chega-se à conclusão de que cada brasileiro deixou de ganhar em média R$ 719 por causa da crise.

Foi o custo per capita da crise, diz Borges.
Também a pedido da BBC Brasil, o economista Claudio Considera, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), calculou a variação do PIB com base nas previsões dos dois relatórios, mas usando como deflator (inflação a ser descontada) o IGP-M (Índice Geral de Preços ¿ Mercado) em vez do IPCA.

Como a previsão do Focus desta semana para o IGP-M é de deflação de 0,74%, Considera fez o cálculo com base em previsão de crescimento zero e deflator zero.

O economista chegou à conclusão de que o país terá deixado de gerar R$ 104 bilhões em 2009, a diferença entre um PIB de R$ 2,993 trilhões (caso crescesse os 3,6% previstos pelo mercado antes do agravamento da crise) e a estagnação em R$ 2,889 trilhões, caso se confirme a previsão de crescimento zero.

Segundo trimestre

As previsões para a evolução da economia neste ano ainda podem mudar e foram feitas antes da divulgação pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) dos resultados do PIB no segundo trimestre, nesta sexta-feira.

No entanto, os economistas ouvidos pela BBC Brasil afirmam que, apesar da perspectiva de frustração no crescimento, o resultado ainda é bem melhor do que o esperado no auge da crise.

É um resultado menos ruim do que todos imaginavam, diz Considera, que foi secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda de 1999 a 2002, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.

No auge da crise, houve quem projetasse queda de 4,5% do PIB, diz Borges. Neste sentido, a economia brasileira até se saiu bem perto da média mundial. Enquanto nós, na LCA, projetamos que o PIB Brasileiro vá crescer 0,3% em 2009, o PIB mundial deve recuar 1,5%.

Produção industrial

A comparação do Focus de 12 de setembro de 2008 com o desta semana revela também uma queda acentuada nas estimativas de produção industrial.

Na pesquisa do ano passado, a previsão era de crescimento de 4,2% para 2009. O último relatório prevê queda de 7,35% na produção industrial deste ano.

A indústria foi o setor que mais sofreu com a crise, diz o economista Bernardo Wjuniski, da Tendências Consultoria.
Wjuniski prevê que, depois de dois trimestres consecutivos de queda (em relação ao trimestre anterior), o PIB brasileiro vai voltar a crescer, puxado principalmente pela indústria.

No entanto, segundo o economista da Tendências, a produção industrial só deverá voltar ao patamar pré-crise no fim de 2010.

Pontos positivos

A previsão da LCA é mais otimista, de volta ao nível pré-crise já no início do próximo ano.

Os economistas citam dois pontos positivos em meio à crise, na comparação entre os dois boletins Focus.
Além da previsão de inflação medida pelo IPCA (que serve de base para as metas inflacionárias do governo), que passou de 4,99% para 4,30%, as projeções para a taxa básica de juros (Selic) passaram de 13,75% ao ano para 8,75% ao ano.

A redução da atividade permitiu permitiu que a inflação entrasse num cenário mais benigno. O mesmo ocorreu com a Selic, diz Wjuniski.

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