Crise em Honduras volta à estaca zero e protestos continuam

Por Esteban Israel e Anahí Rama TEGUCIGALPA (Reuters) - A crise política aberta após o golpe em Honduras voltou à estaca zero, com o presidente deposto Manuel Zelaya na embaixada do Brasil e o governo de facto negando-se a lhe devolver o poder.

Reuters |

Nas ruas de Tegucigalpa cerca de 2 mil partidários de Zelaya marchavam com bandeiras vermelhas e de Honduras exigindo a restituição do presidente. Eles eram acompanhados de perto por policiais e soldados.

Zelaya e o presidente de facto Roberto Micheletti haviam esboçado um diálogo nesta semana, mas essa possibilidade encontrou um obstáculo aparentemente insuperável: a restituição do presidente deposto em 28 de junho.

"Totalmente descartado", disse Micheletti a jornalistas na noite de sexta-feira. "Além disso, ele tem contas pendentes com a lei em nosso país."

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse que nos próximos dias uma missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) viajará para Honduras para tentar outra vez a assinatura do Acordo de San José, um plano do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que inclui a restituição de Zelaya.

Rafael Alegría, líder da Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe, disse que as portas do diálogo não estão totalmente fechadas. "Há certo espírito de diálogo em alguns setores, como a empresa privada e os partidos", afirmou à Reuters.

"O problema é que todo mundo quer o diálogo, mas não nos aproximamos de uma solução. A restituição do presidente Zelaya contina sendo o obstáculo."

Micheletti aposta que as eleições presidenciais de novembro permitan virar a página e romper o isolamento do país. Mas os Estados Unidos afirmiram que não aceitarão o resultado de eleições acompanhadas pelo governo de facto.

Os partidários de Zelaya marcharão no sábado em direção à embaixada do Brasil. Zelaya convocou os hondurenhos a aumentar a pressão sobre o governo de facto.

Há sinais de que a pior crise em décadas na América Latina possa se estender, dado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil protegerá Zelaya pelo tempo necessário.

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