Crise em Honduras: nenhum acordo para a volta de Zelaya

O retorno a Honduras de seu presidente deposto Manuel Zelaya permanecia, nesta sexta-feira, o obstáculo principal na delicata reunião de mediação lançada na véspera na Costa Rica, em meio à desesperança de solução para a crise que agita este país da América Central.

AFP |

As discussões foram retomadas às 16H00, hora local, na ausência de Zelaya e de seu rival, Roberto Micheletti, instalado no poder pelo exército por um golpe de Estado no dia 28 de junho.

Os dois homens, que tomaram o cuidado de evitar um ao outro, antes de deixar San José, insistem em suas posições.

Em Washington, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, lamentou a "intransigência de cada lado".

"Não acredito na possibilidade de vermos logo a fumaça branca", reagiu, antes da retomada da reunião na residência do presidente da Costa Rica, Oscar Arias - prêmio Nobel da Paz em 1987 por ter contribuído para a pacificação da América Central após anos de guerra civil.

Zelaya, que chegou nesta sexta-feira à República Dominicana depois de visita à Guatemela, considerou, no entanto, que a mediação, ativamente sustentada pelos Estados Unidos, havia "aberto uma janela".

Isso demonstra a vontade de "encontrar uma solução imediata para o retorno do presidente eleito livremente pelo povo hondurenho", destacou.

A visão não é partilhada por Micheletti, ex-presidente do Congresso designado à chefia do governo de Honduras, após um golpe de Estado condenado pela ONU.

"O único tema que não vamos negociar é o retorno de Manuel Zelaya, a não ser para se apresentar à justiça", afirmou Micheletti, ao deixar San José.

As novas autoridades de Honduras estimam que Zelaya violou a Constituição, ao tentar modificar a Carta Magna para poder brigar por um segundo mandato, um projeto considerado ilegal pela Corte Suprema.

Excluída pela OEA, Honduras viu cortada uma parte da ajuda econômica fornecida pelos Estados Unidos, que se eleva a 200 milhões de dólares. Um golpe duro para este país pobre de cerca de 8 milhões de habitantes e ao que se soma ao congelamento de créditos por parte do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

O presidente socialista da Venezuela, Hugo Chavez, aliado regional de Zelaya, também fechou a torneira do petróleo a Honduras, a quem fornece a quase totalidade de seu combustível.

Chávez, saindo de um silêncio inabitual, qualificou nesta sexta-feira o diálogo de San José de "erro grosseiro de Washington" e lamentou que "o usurpador" Micheletti não tenha sido detido na Costa Rica.

Em Honduras, Zelaya, um rico pecuarista e magnata da indústria da madeira, conta com o apoio de organizações sociais e indígenas, depois de sua virada para a esquerda, após sua eleição como candidato conservador no final de 2005.

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