Crise em Honduras entra na terceira semana com fim do toque de recolher

O governo de fato de Honduras suspendeu neste domingo o toque de recolher, ao mesmo tempo que simpatizantes do presidente destituído Manuel Zelaya retomaram os protestos nas ruas, no dia em que o conflito completa duas semanas.

AFP |

"Em virtude dos objetivos desta disposição terem sido alcançados, o governo informa que a partir deste domingo, 12 de julho, se suspende em todo o território nacional o toque de recolher", afirmou um comunicado oficial lido em cadeia nacional de rádio e televisão.

No momento em que aumenta a pressão internacional para uma solução ao conflito, Zelaya está em Washington em busca de apoio para retornar à presidência.

O presidente destituído em 28 de junho se reuniu no sábado com o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, e o emissário para a América Latina do Departamento de Estado americano, Thomas Shannon.

"O presidente Zelaya quer retornar a seu país e está buscando a maneira de alcançar um consenso para fazê-lo", declarou Rodolfo Pastor, encarregado de negócios da delegação diplomática.

Em Tegucigalpa, milhares de pessoas programaram manifestações para este domingo, ao mesmo tempo que prosseguem os bloqueios temporários das estradas, anunciou Luis Sosa, dirigente do Bloco Popular, contrário ao golpe de Estado.

"Vamos continuar com as manifestações, nosso compromisso é mantê-las de forma permanente até que se restitua o leito democrático", disse.

Washington estimulou a mediação do presidente da Costa Rica e Prêmio Nobel da Paz, Oscar Arias, que conseguiu convocar a San José a delegados das duas partes partes, em um primeiro encontro que foi concluído na sexta-feira sem nenhum compromisso concreto, exceto o do prosseguimento das reuniões.

Neste domingo, Arias anunciou que o diálogo entre delegados do presidente destituído e do governo de fato, comandado por Roberto Micheletti, devem ser retomados em oito dias em San José.

Ao mesmo tempo, as atividades parecem retornar a uma relativa normalidade na capital hondurenha, que completou duas semanas de toque de recolher contínuo, com a reabertura de lojas e famílias nas ruas e parques.

Mas a pressão internacional cresce para o restabelecimento da ordem constitucional.

Os 106 países da Comunidade de Democracias defenderam o retorno imediato da ordem constitucional em Honduras, anunciou em Lisboa o chefe da diplomacia espanhola, Miguel Angel Moratinos, após uma reunião da organização.

O Papa Bento XVI afirmou que acompanha com preocupação a situação em Honduras, ao mesmo tempo que convidou os hondurenhos ao diálogo e reconciliação.

"Sigo nos últimos dias com uma viva preocupação os acontecimentos em Honduras. Gostaria de convidá-los hoje a rezar para que os dirigentes deste país e sua população tomem o caminho do diálogo, da compreensão recíproca e da reconciliação", declarou o Papa após a benção do Angelus na praça de São Pedro, em Roma.

A Igreja Católica hondurenha respalda a destituição de Zelaya e se alinhou à versão dos dirigentes que tomaram o poder, de que o que aconteceu em Honduras não foi um golpe de Estado e sim uma sucessão de acordo com a Constituição.

Em mais uma polêmica envolvendo a Venezuela, depois que o presidente Hugo Chávez afirmou que a única solução que aceita é o retorno de Zelaya ao poder, jornalistas do canal Telesur e da emissora de TV pública venezuelana denunciaram ter sido detidos durante a madrugada deste domingo e que receberam a ordem de abandonar Honduras, depois que a polícia invadiu o hotel onde instalaram sua base de transmissão.

No entanto, fontes do governo de Roberto Micheletti negaram a prisão e afirmaram que tudo não passou de uma investigação sobre migração.

bur-hov/fp

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