Crise em Honduras domina cúpula do Mercosul

Por Todd Benson ASSUNÇÃO (Reuters) - A crise política em Honduras ganhou o centro das atenções da cúpula presidencial sul-americana na sexta-feira. Os líderes regionais defenderam a volta incondicional do presidente deposto, Manuel Zelaya, ao país.

Reuters |

Com Zelaya a caminho de Honduras enfrentando as advertências do governo interino, os presidentes sul-americanos deixaram de lado o debate sobre a crise econômica global e o comércio regional para fazer uma exigência conjunta pela restauração imediata da democracia naquele país da América Central.

"Esse é um retrocesso que a nossa região não pode tolerar", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um discurso na cúpula do Mercosul em Assunção. "Não podemos ceder."

A cúpula, que reuniu os presidentes da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, terminou com uma declaração dura condenando o golpe de 28 de junho em Honduras que derrubou Zelaya, de tendência esquerdista, do poder.

A declaração, que se referiu ao governo interino chefiado por Roberto Micheletti como "ilegítimo", afirma que os países da América do Sul pressionarão a Organização dos Estados Americanos (OEA) para que se aprove uma resolução banindo o retorno de Honduras à OEA a menos que Zelaya seja restabelecido como presidente.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, cujos laços estreitos com Zelaya irritaram a oposição conservadora de Honduras, também foi convidado à cúpula do Paraguai, mas enviou representantes.

Houve um debate acalorado sobre as medidas que cada país poderia tomar para pressionar o governo interino de Micheletti. As autoridades venezuelanas pediram aos governos da região que neguem vistos aos governantes hondurenhos e adotem sanções econômicas contra eles.

A presidente argentina, Cristina Kirchner, propôs que os governos da América do Sul se recusem a reconhecer qualquer medida tomada pelo governo de Micheletti, incluindo a convocação de eleições, numa proposta que recebeu o apoio do anfitrião da cúpula, o presidente paraguaio, Fernando Lugo.

"Honduras é uma ferida aberta na democracia da região", disse Lugo. "Não vamos aceitar nenhuma eleição convocada por esse regime."

Embora o presidente dos EUA, Barack Obama, tenha condenado o golpe, o presidente boliviano, Evo Morales - que, como Chávez, é famoso pela retórica anti-EUA - aproveitou a cúpula do Mercosul para culpar Washington pela crise em Honduras.

"A origem desse golpe é a presença militar norte-americana em Honduras e temos prova disso", disse Morales, sem fornecer detalhes.

O debate sobre Honduras ofuscou as antigas rixas sobre o comércio da região, que atrapalham o Mercosul há anos, levando o principal jornal paraguaio, o ABC Color, a tachar o bloco comercial de "inútil" num editorial de primeira página publicado na sexta-feira.

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