As delegações do presidente destituído de Honduras, Manuel Zelaya, e do governo de fato de Roberto Micheletti, debatem neste domingo em San José o mapa do caminho apresentado pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, para solucionar a crise de três semanas.

Sob uma forte pressão internacional, as conversas começaram no sábado e, depois de muitas horas, terminaram sem um acordo sobre o ponto central: a restituição de Zelaya no poder do que foi expulso em um golpe de Estado em 28 de junho.

As partes devem voltar a se reunir às 11H00 local (14H00 de Brasília) na residência de Arias, onde discutirão a proposta de sete pontos apresentada na véspera pelo presidente costarriquenho.

"Há muitas diferenças entre as partes", admitiu Arias, acrescentando que as delegações devem fazer um "esforço de flexibilidade para ajustar posições".

Ao menos houve alguns avanços. Zelaya aceitou sábado a proposta de Arias de adiar para a próxima sexta-feira sua volta a Honduras, em vez de ir neste domingo, conforme estava previsto.

A delegação de Micheletti pediu tempo para estudar a proposta do Prêmio Nobel da Paz 1987, disse seu coordenador e atual chanceler do governo de fato, Carlos López. "Não há acordo entre as partes", indicou.

O ponto mais controverso para o governo de fato de Honduras é o retonro ao poder de Zelaya.

"Para Honduras é muito difícil um acerto sobre a volta do senhor ex-presidente de Honduras, don José Manuel Zelaya Rosales", disse a vice-chanceler do governo de fato de Roberto Micheletti, Martha Lorena Alvarado, ao canal Televicentro.

O plano de Aris inclui a restituição de Zelaya no poder, a antecipação em um mês das eleições gerais previstas para 29 de novembro, e uma anistia para crimes políticos cometidos durante a crise.

O presidente costarriquenho também propôs estabelecer "um governo de união e reconciliação nacional, composto por representantes dos principais partidos políticos".

Por sua vez, Zelaya terá de se comprometer a renunciar a convocar uma consulta popular para reformar a Constituição e permitir a reeleição presidencial, o que desencadeou o golpe de Estado.

Segundo a ministra de Comunicação do governo da Costa Rica, Mayi Antillón, a proposta para solucionar a pior crise política em quase três décadas da democracia hondurenha "é resultado do trabalho que fizemos de ouvir diversas pessoas, não apenas em Honduras, mas em todo o mundo".

Segundo ela, alguns pontos podem ser retirados, outros acrescentados, mas a questão central é a de restituir a presidência de Zelaya para ele concluir seu mandato em 29 de janeiro de 2010.

Micheletti, eleito pelo Congresso Nacional após o golpe, esperará o fim da rodada de diálogo para comentar as propostas do mediador, disse seu porta-voz à AFP.

O governo de fato, que conta com o apoio do Congresso, o exército, a Justiça, a Igreja Católica, a classe empresarial e amplos setores da sociedade hondurenha, disse que está disposto a ir embora, mas desde que Zelaya não volte ao poder.

Em Honduras, que voltou a amanhecer este domingo com toque de recolher, os seguidores de Zelaya anunciam novas manifestações e bloqueios de estrada.

bur-af/lm

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