Crise econômica faz bem para saúde, diz análise

(Embargada até as 13h de Brasília) Redação Internacional, 28 ago (EFE).- Paradoxalmente, em tempos de recessão econômica, a taxa de mortalidade em países desenvolvidos diminui, segundo uma análise publicada no Canadian Medical Association Journal.

EFE |

"Em termos de ciclos econômicos, a mortalidade é procíclica, o que quer dizer que sobe com a expansão econômica e cai quando contrai, e não contracíclica (o contrário), como se esperava", escreve o doutor do colégio de saúde pública da Universidade de Washington, Stephen Bezruchka.

Além disso, em países em vias de desenvolvimento, o crescimento econômico sempre é bem-vindo no campo da saúde, devido à precariedade de seu sistema.

Mas, quando um país ultrapassa os US$ 5 mil a US$ 10 mil de renda per capita, a saúde quase não tem melhora com o crescimento econômico.

Assim, o estudo ressalta que uma maior riqueza não se traduz em melhor saúde para os cidadãos, já que um bom sistema de saúde depende do uso dos recursos de maneira produtiva.

Por exemplo, "os Estados Unidos, país com o maior Produto Interno Bruto (PIB) per capita do mundo, tem uma expectativa de vida mais baixa que quase todos os outros países ricos e alguns dos pobres", explica o autor.

Em lugares economicamente menos avançados, como Cuba, o sistema de saúde é de muito boa qualidade, devido à correta distribuição de seus limitados recursos.

Em tempos de crise, a falta de trabalho aumenta o tempo de lazer com parentes e amigos e reduz o estresse, o que leva a uma redução do tabagismo, do consumo de álcool e de comer compulsivamente.

Alguns países como Alemanha, França e Suécia não tiveram uma mudança tão significativa no índice de mortalidade durante períodos de recessão econômica, porque têm um sistema de seguridade social muito sólido e efetivo.

Por isso, segundo o estudo, a recessão atual pode oferecer novas oportunidades.

"Se reconhecermos que o crescimento econômico pode não ser bom para nossa saúde, poderemos averiguar uma maneira de controlar o excesso de riqueza e de redistribuir os recursos nacionais através da despesa social para o bem comum", conclui o doutor.

as/an

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