Crise econômica e Bush custam Presidência a John McCain

César Muñoz Acebes. Washington, 5 nov (EFE).- O republicano John McCain sofreu dois fortes golpes em sua luta pela Presidência dos Estados Unidos, com a crise financeira que abala atualmente o mundo e o descontentamento da maioria dos americanos com o Governo de George W.

EFE |

Bush, segundo analistas.

McCain teve de remar contra a maré desde o início de sua campanha eleitoral, já que tudo indicava que este seria um ano para os democratas.

Os problemas econômicos sempre foram decisivos nas eleições presidenciais nos EUA. O democrata Bill Clinton, por exemplo, roubou a Presidência de George Bush pai em 1992 graças a uma desaceleração que estava para terminar no dia em que os americanos foram às urnas.

Agora, a situação é mais grave, pois a crise econômica está apenas começando, de acordo com os analistas.

A maioria dos eleitores citou a economia como sua principal preocupação, segundo as pesquisas de boca-de-urna desta terça-feira.

"Uma crise financeira em um momento tão próximo da eleição foi um golpe muito forte para McCain", disse à Agência Efe John Fortier, analista do American Enterprise Institute, um centro de análise conservador.

McCain não convenceu os americanos de que sua experiência, muito mais vasta que a de Obama, seria mais importante no momento de guiar o país pelo campo minado da incerteza econômica.

Na verdade, o senador pelo Arizona está ligado à visão republicana de que o Governo é um obstáculo ao crescimento.

Esta é uma visão desfavorável, já que atualmente é difícil encontrar um analista que não cite a falta de supervisão como uma das causas da crise financeira.

"Houve uma ampla tradição de desregulação. Foi um legado dos últimos oito anos", disse Theodore Moram, catedrático de finanças da Universidade de Georgetown.

Esse legado não é de McCain, e sim de Bush, mas acabou entrando na conta do senador pelo Arizona.

De acordo com Gary Jacobson, professor da Universidade da Califórnia em San Diego, "a principal razão da derrota de McCain é George W. Bush".

Atualmente, 72% dos americanos estão insatisfeitos com o Governo Bush, o maior nível de rejeição a um governante desde que a popularidade dos presidentes começou a ser medida, na década de 1930.

McCain fugiu de qualquer ato conjunto com o presidente, mas Obama vinculou de forma incessante a imagem de seu rival com a de Bush.

E o problema não era só Bush, mas o partido republicano em geral, cuja reputação está muito baixa, disse Fortier.

McCain era provavelmente o homem perfeito para seu partido nesta conjuntura, por causa de seu histórico de trabalho com os democratas para aprovar projetos de lei de centro e por não se importar em criticar sua legenda.

No entanto, o candidato republicano teve de caminhar o tempo todo na corda bamba, pois devia conquistar o apoio da base conservadora enquanto seduzia os eleitores de centro.

McCain conseguiu seu primeiro objetivo, com o apoio à redução de impostos impulsionada por Bush e a escolha da governadora Sarah Palin como candidata à Vice-Presidência.

No entanto, seu giro à direita o afastou dos eleitores moderados, segundo Jacobson.

A escolha de Palin foi uma das apostas que McCain teve de fazer para mudar o ritmo da campanha.

Conhecida em seu estado por sua luta contra a corrupção e por ser uma impecável defensora dos valores tradicionais, a governadora do Alasca lhe deu um empurrão inicial.

No entanto, com o tempo se transformou em um mais um peso para o candidato republicano, porque gerava dúvidas sobre sua capacidade de assumir a Presidência caso fosse necessário.

A maré contra os republicanos também foi refletida nos dólares arrecadados durante a campanha. Obama recebeu mais de US$ 600 milhões entre janeiro e setembro, e McCain apenas a metade.

Isso permitiu ao candidato democrata inundar com seus anúncios as emissoras de TV dos estados em disputa.

Obama realizou uma campanha eficiente e "se mostrou tranqüilo frente aos ataques" republicanos, segundo Alan Lichtman, professor de política da American University.

O democrata não cometeu erros e criticou McCain com eloqüência onde mais lhe atingia: na economia e em seus laços com um presidente que deixará a Casa Branca com a cabeça muito baixa. EFE cma/mh

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