Virgínia Hebrero Genebra, 17 abr (EFE).- A atual desaceleração econômica global e a alta dos preços dos alimentos terão um impacto dramático nos 26 milhões de deslocados internos do mundo, que junto com os refugiados representam os grupos mais vulneráveis.

Assim afirmou o Alto Comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres, ao apresentar hoje um relatório sobre os deslocados internos de 2007 que constata uma piora do problema no ano passado.

"Não tenho a menor dúvida de que os deslocados internos, que são os pobres entre os pobres, juntamente com os refugiados, serão as coletividades mais dramaticamente atingidas pela situação econômica, tanto em suas vidas como em seus sofrimentos", disse Guterres em entrevista coletiva.

"A crise econômica gera instabilidade e conflitos, que são as grandes causas dos deslocamentos", disse Guterres em entrevista coletiva.

Segundo o relatório divulgado hoje pelo Centro de Monitoramento de Deslocamentos Internos (IDMC, em inglês), em 2007 o número de pessoas deslocadas dentro de seus próprios países devido à violência e conflitos armados superou os 26 milhões, o número mais alto desde o começo da década de 90.

O Centro é vinculado à ONG Conselho Norueguês para Refugiados e apoiado pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).

Os países com maior número de refugiados internos foram Sudão (com 5,8 milhões) e Colômbia (com 4 milhões), seguidos pelo Iraque, onde o número aumentou vertiginosamente e, no final de 2007 já contabilizava 2,5 milhões de deslocados.

O número de deslocados internos também aumentou muito na República Democrática do Congo, onde chegou aos 1,4 milhão e na Somália, com um milhão.

Por continentes, a África contava em 2007 com 12,7 milhões de deslocados internos, quase a metade de todo o mundo, em um total de 20 países, e em segundo lugar está a América, com 4,2 milhões, a maior parte na Colômbia.

"O número de 26 milhões de deslocados representa um aumento de 6% em relação a 2006, e é o resultado da combinação de 3,7 milhões de novos deslocamentos e de um baixo nível de retorno aos locais de origem, 2,7 milhões", disse a secretária-geral do Conselho Norueguês dos Refugiados, Elisabeth Rasmusson.

Tanto ela quanto Guterres destacaram a situação de maior vulnerabilidade dos deslocados internos em comparação com os refugiados, pois estes são protegidos por leis internacionais e assistidos pela Acnur e outras agências internacionais.

"Os deslocados internos estão teoricamente protegidos por seus próprios Governos, que são quem deve prestar assistência a eles, mas na verdade em 21 dos 28 países com novos deslocados o Executivo foi o principal responsável, ou seja, parte do problema", disse Rasmusson.

"Às vezes é questão de incapacidade, nos chamados países falidos, e em outras ocasiões é falta de vontade, mas em todo caso é muito mais complexo tratar do problema dos deslocados do que o dos refugiados", afirmou Guterres.

No total, afirma o relatório, existem deslocados em 52 países, e as mulheres e crianças são as que sofrem os mais graves abusos de seus direitos humanos.

As mulheres e as meninas sofrem um risco cada vez maior de violência sexual e os que a cometem freqüentemente não costumam ser punidas, acrescenta o relatório.

Em muitos casos, os deslocados acabam enfrentando novos ataques armados como os que os fizeram abandonar os locais em que moravam, além de fome, doenças e falta de um abrigo apropriado.

Apesar de a África ser o continente com mais deslocados, a região do mundo com um maior aumento relativo desta população durante 2007 foi o Oriente Médio, onde a contínua deterioração da situação no Iraque foi a responsável por cerca de 30% dos novos casos. EFE vh/ev/fb

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