Os dois candidatos à Presidência dos Estados Unidos, o republicano John McCain e o democrata Barack Obama, se encontraram na noite desta terça-feira para o segundo debate antes das eleições que acontecem no próximo dia 4 de novembro. O encontro, em Nashville, no Estado do Tennesse, era muito aguardado, depois de um final de semana onde as duas campanhas se utilizaram de acusações e ataques pessoais contra seus adversários.

Dias antes, em um evento de campanha em Denver, Colorado, McCain havia afirmado que "tiraria as luvas" contra Obama no próximo debate, mas isso não parece ter acontecido.

Apesar da guerra de lama nos últimos dias, os dois candidatos fizeram um debate morno e sem grande acusações.

A crise econômica e a política doméstica americana dominaram o debate desta terça-feira, que foi organizada no formato de town hall meeting (em tradução literal, "um encontro na prefeitura"), onde os candidatos respondiam a perguntas de eleitores que estavam no auditório e a questões enviadas pela Internet.

Respondendo a uma pergunta da platéia, Obama afirmou que há muito a ser feito pela classe média dos Estados Unidos e, mais uma vez, ligou a atual crise econômica ao governo do presidente George W. Buh.

"Este é o veredicto final da política econômica de Bush, que é apoiado por McCain", afirmou, como havia feito no debate anterior.

"Alguém em Washington deve trabalhar pela classe média e não apenas para os lobistas", disse Obama, que defendeu cortes de imposto para a classe média para que aqueles que correm o risco de perder suas casas por causa da crise nas hipotecas possam pagar suas dívidas.

McCain acusou Obama de querer aumentar os impostos e falou que em seu eventual governo vai pedir ao secretário do Tesouro "que compre as hipotecas podres para que as pessoas possam renegociar suas dívidas".

"Vai ser caro, mas é necessário", disse McCain.

Obama defendeu também a modificação do sistema de saúde americano e afirmou que, para ele, o seguro saúde é "um direito".

Apelando para a emoção, ele afirmou que sua mãe passou os últimos meses de sua vida discutindo com o seguro de saúde, que alegava que o seu câncer era preexistente.

Energia e meio ambiente
A independência energética dos Estados Unidos também foi um dos assuntos mais debatidos pelos candidatos à Casa Branca.

Obama classificou a questão do meio ambiente e das energias renováveis como "um dos grande desafios de nosso tempo"
O candidato democrata afirmou que, se vencer as eleições, o governo, em parceria com a iniciativa privada, vai investir no desenvolvimento de energias alternativas como uma forma de garantir a independência energética dos EUA e criar empregos.

Já o candidato John McCain defendeu a exploração de recursos petrolíferos na costa dos Estados Unidos e a expansão da energia produzida em usinas nucleares.

"A exploração do petróleo offshore é fundamental para reduzirmos a importação de petróleo estrangeiro e baixarmos o preço do combustível".

McCain procurou se mostrar crítico à políticas de Bush em relação ao meio ambiente.

Iraque
Um dos eleitores presentes no auditório perguntou sobre como a crise econômica poderia afetar a atuação dos EUA como "pacificador" no mundo.

Obama respondeu que nenhum país consegue manter sua influência militar com uma economia em declínio. Ela afirmou ainda que a política externa de Bush fez com que os Estados Unidos não pudessem intervir em conflitos como o de Darfur, porque o país perdeu muitos de seus aliados.

O candidato John McCain acusou Obama de ser inexperiente em política externa e afirmou que ele errou ao não apoiar o envio de mais tropas para o Iraque e em sua resposta ao conflito entre Geórgia e Rússia, no início de agosto.

"Se tivéssemos feito o que Obama queria no Iraque, ele traria nossas tropas derrotadas. Eu trarei de volta nossas tropas vitoriosas".

Em resposta a McCain, Obama afirmou que ele não compreendia o motivo da invasão ao Iraque, "um país que não tinha relação com os ataques de 11 de setembro de 2001, enquanto não tínhamos terminado o trabalho contra a Al-Qaeda no Afeganistão".

"Temos que passar mais responsabilidades para o governo iraquiano. A guerra nos custa US$ 10 bilhões por mês. Precisamos deste dinheiro para colocar as pessoas de volta ao trabalho aqui".

Paquistão
Obama criticou também a política dos EUA em relação ao Paquistão, afirmando que o país se tornou um esconderijo para a Al-Qaeda. Ele ainda criticou o apoio de Bush ao ex-presidente paquistanês, Pervez Musharraf, que classificou como "ditador".

"Não terminamos nosso trabalho de perseguir Bin Laden, e a agora eles ameaçam nossos soldados no Afeganistão. Precisamos terminar a guerra no Iraque e mandar mais tropas para o Afeganistão", disse Obama, que prometeu "matar Bin Laden".

Obama acusou ainda o governo paquistanês de "não conseguir ou não querer acabar com a Al-Qaeda".

McCain acusou o democrata de "anunciar que vai atacar o Paquistão" o que Obama negou.

Em uma das últimas perguntas do debate, uma eleitora questionou os candidatos sobre qual seria sua reação a um eventual ataque à Israel.

Os dois defenderam então uma atuação unilateral dos Estados Unidos, sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU.

Pesquisas
Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira pelo jornal Washington Post e a rede ABC mostra que uma intenção de voto de 51% em favor de Barack Obama. John McCain teve 45% das intenções.

Na segunda-feira, uma sondagem da rede de TV CNN apontou que Obama está conseguindo aumentar sua vantagem sobre McCain.

Segundo a sondagem, 53% dos eleitores disseram que votarão em Obama, contra 45% que afirmaram apoiar o republicano.

A vantagem de 8 pontos percentuais é o dobro do que Obama tinha em meados de setembro, de acordo com a mesma pesquisa.

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